Portugal
Tonel coloca mais responsabilidade que favoritismo ao Sporting
2021-08-04 10:10:00
Antigo defesa leonino antecipa época verde e branca

O Sporting terá mais responsabilidade que favoritismo na defesa do estatuto de campeão nacional na próxima edição da I Liga, avaliou o ex-futebolista Tonel, sublinhando que “faz sentido” manter o discurso contido de 2020/21.

“Não é por ter ganhado na época passada que lhe dá, quanto a mim, maior favoritismo em relação aos outros. O campeonato é longo e difícil e acho que os três ‘grandes’ partem com o mesmo nível de favoritismo. Não vejo o Sporting mais favorito, mas com mais responsabilidade”, observou à agência Lusa o ex-defesa dos ‘leões’, entre 2005 e 2010.

Depois de quebrar um ‘jejum’ de 19 anos, intercalado com o triunfo na Taça da Liga e saídas precoces na Taça de Portugal e na Liga Europa, o Sporting terá um calendário mais apertado, já que tem entrada direta na fase de grupos da Liga dos Campeões.

“Por um lado, é ótimo. É aí onde as grandes equipas querem estar. Agora, isso traz mais jogos em cima. Uma vantagem que o Sporting teve na época passada foi não estar nas provas europeias e competir com semanas limpas e seis/sete dias de recuperação, enquanto os rivais e o Sporting de Braga atuaram a cada três ou quatro dias”, notou.

António Leonel Sousa, conhecido no futebol por Tonel, prioriza um “plantel equilibrado” para que “todos possam dar resposta quando forem chamados”, numa fase em que os regressos do ala direito Ricardo Esgaio (ex-Sporting de Braga) e do defesa esquerdo Rúben Vinagre (ex-Wolverhampton) sobressaem no lote de reforços oficializados.

“O Rúben Amorim vai ter de usar mais o plantel do que na época passada e gerir melhor fisicamente. Com tantos jogos, não pode haver só 11, 12, 13 ou 14. Parece-me que o plantel ainda não está fechado. Podem sair jogadores importantes, mas também podem entrar nomes que venham a ser relevantes. Veremos o que o mercado vai ditar”, referiu.

Enquanto vai definindo o futuro de alguns ‘excedentários’, o Sporting tem resistido ao ‘assédio’ em torno de algumas figuras do 19.º título de campeão nacional, ainda que o futebol “também seja números e dinheiro” e o clube “talvez venha a precisar de vender”.

“Ninguém fala em perder o Sebastián Coates, mas, por exemplo, o João Palhinha ou o Nuno Mendes já eram perdas grandes. Seria ótimo se o clube se pudesse reforçar mais sem perder as pedras basilares da equipa, ou seja, aqueles atletas que mais vezes são titulares e costumam ter mais minutos que os outros. Aí já estava a ganhar”, afiançou.

A única ‘baixa’ de vulto face a 2020/21 é o médio internacional luso João Mário, que terminou o empréstimo e, perante uma proposta ‘leonina’ considerada baixa pelo Inter Milão, acertou a rescisão com os campeões italianos e rumou ao Benfica a custo zero.

“O futebol é feito disto. Saiu um e estão outros a querer nascer, que vão tentar agarrar e mostrar-se. Os atletas querem jogar, acumular minutos, fazer boas exibições e ajudar o clube. As equipas também vivem dessa concorrência interna que os jogadores têm em cada dia ou treino para chegarem ao fim de semana, serem titulares e valorizarem-se, com o intuito de conseguir melhores contratos e fazer uma melhor carreira”, vincou.

Tonel, de 41 anos, fazia alusão ao luso-brasileiro Matheus Nunes e ao internacional sub-21 português Daniel Bragança, ambos “com potencial” para “fazer esquecer um pouco” João Mário, mas sem a experiência do vencedor do Euro2016 pela seleção nacional.

“O mais importante é o coletivo, é o ‘onze’ que joga e os cinco que podem entrar, é todo um plantel estar motivado e pronto para dar uma boa resposta sempre que for chamado. Isso é que faz a equipa obter ou não bons resultados. Um título não se ganha com 11 jogadores e um treinador. Ganha-se com plantel, estrutura, equipa técnica e adeptos. Tudo é importante para ajudar a somar e o Sporting tem de contar com isso”, enalteceu.

Vencedor de duas Taças de Portugal (2006/07 e 2007/08) e duas Supertaças (2007 e 2008), o ex-internacional luso acredita que “nova aura” no regresso do público ‘leonino’ aos estádios transmitirá “boas vibrações”, fundamentais “em fases de maior dificuldade”, como evidenciou a reviravolta vitoriosa na Supertaça frente ao Sporting de Braga (2-1).

“Se as pessoas se sentem confortáveis e entendem que aquele discurso de ir jogo a jogo representa o que pensam, têm de colocá-lo cá fora. A cada três pontos é que se faz ou não um possível campeão. Não vejo aquilo que o clube ganha em assumir que é favorito ao título. Até acredito que as pessoas que trabalham lá dentro não achem que o Sporting é o principal candidato, mas mais um”, finalizou.

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