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Portugal

Tiba nunca teve pinta de médio-centro, era um finalizador e caçava autógrafos

RedaçãoPor Redação12/05/20186 Mins Leitura
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O jogador realizou uma grande época no Chaves e o Bancada foi saber mais do médio que não gostava de ficar sem bola

Marcou o primeiro, construiu o segundo e fez a assistência para o terceiro. Assim foi a noite do médio-centro que, durante os anos de formação, pouco teve de médio-centro. Gostava pouco de correr atrás da bola, mas quando a tinha tratava-a como poucos e à frente da baliza não havia pai para ele. Pedro Tiba foi uma das figuras da excelente campanha do GD Chaves esta temporada e o Bancada foi saber mais sobre o jogador que em criança gostava de pedir autógrafos.

“Quando ele chegou ao Vitória de Setúbal, o treinador – que era o José Couceiro, se não estou enganado – perguntou-lhe se ele queria ser um bom extremo ou um excelente médio-centro”, revelou, ao Bancada, Paulo Amaral, antigo colega e amigo de longa data de Pedro Tiba. “Quando ele me disse que estava a jogar a médio-centro, no Setúbal, até lhe perguntei, ‘médio-centro, tu?’. Fiquei mesmo admirado”, explicou, entre gargalhadas, Paulo Amaral. Mas porquê, Paulo? O que pode haver de tão estranho nisso?

Segundo o antigo colega de Pedro Tiba, nos tempos em que se cruzaram no Valdevez, o atual capitão do GD Chaves não perdia muito tempo a correr atrás da bola. Nada que se compare com o que faz agora, Tiba está feito um verdadeiro box-to-box, sempre com muita qualidade técnica, mas com uma combatividade de assinalar.  

“Ele era um jogador totalmente diferente daquilo que é agora. Agora é um jogador mais combativo, passa o jogo todo a correr, mas sempre com elevada qualidade técnica. Antes não era bem assim. Era um finalizador, ou, então, até podia jogar a extremo, mas era com a bola no pé. Se ela não lhe chegasse ao pé, era o “deixa andar” (gargalhadas). Não recuava muito. A bola quando lhe chegava ao pé era um espetáculo, agora quando não a tinha não perdia muito tempo em tentar recuperá-la. Tinha essa dificuldade.”

Quando Pedro Tiba andava à caça dos autógrafos

Paulo Amaral recordou ainda um momento curioso, quando Pedro Tiba, ainda um garoto de dez anos lhe pediu um autógrafo. “Ele mora aqui nos Arcos [de Valdevez], a família dele é toda daqui. E lembro-me de uma altura, eu era ainda um miúdo de 18 anos, e o SC Braga veio aqui fazer a apresentação do Valdevez, ainda o campo era pelado; o que é que acontece? No fim do jogo, quando estamos a sair dos balneários está o Pedro, com dez aninhos a pedir autógrafos aos jogadores do Braga. Eu estou a sair na mesma altura e ele vem-me pedir um autógrafo a mim. Eu disse-lhe – nós já nos conhecíamos – ‘vens-me pedir um autógrafo a mim? Eu é que um dia vou-te pedir a ti’.

O jovem Pedro cresceu – mesmo que não tenha dado o salto em termos físicos – e tornou-se num dos avançados mais temíveis dos campeonatos por onde passava. A sua relação com o golo sempre foi muito apurada e apesar da sua baixa estatura nunca teve problemas para se impor no meio dos defesas contrários.

“Ele, em miúdo, não falhava um golo à frente da baliza. Ele sempre foi baixinho, mas eu recordo-me que ele marcava golos de todas as maneiras, nas camadas jovens, era um finalizador nato. Ainda ontem lhe mandei sms a dizer que se não acabasse já o campeonato ele ainda vinha a ser o melhor marcador (risos)”, confidenciou Paulo Amaral que recordou ainda os tempos em que era tradição local a rapaziada juntar-se, ao fim da tarde, junto ao rio para uma peladinha. Nessa altura já o pequeno Pedro se distinguia dos demais e era motivo de conversa entre as gentes de Arcos de Valdevez: “O puto vai dar jogar”.

“Aqui nos Arcos temos um rio fabuloso, e no final da tarde, era tradição, a rapaziada ir para o areal do rio jogar à bola – agora já se perdeu um pouco essa tradição -, e o Pedro andava sempre de bola na mão, pronto para jogar. E desde cedo se percebeu que ia dar jogador, obviamente se destacava dos outros miúdos.”

A grande caminhada do Valdevez na Taça de Portugal e Tiba estava lá

Uma das páginas mais coloridas da história recente do Atlético Valdevez escreve-se com a campanha na Taça de Portugal da temporada 2008/09 onde a equipa, então no terceiro escalão do futebol português, chegou aos quartos de final. Pelo meio houve o jogo com o Olhanense e um episódio com Pedro Tiba  que Paulo Amaral recorda com carinho.

“Recordo-me de uma história quando fomos jogar com o Olhanense, para os oitavos de final da Taça de Portugal, e ele ficou comigo no quarto. Tínhamos tudo preparado para sairmos – ir dar uma volta -, durante o tempo livre que tínhamos, e quando demos por nós tínhamos o presidente à porta do nosso quarto. Ele já sabia que éramos uma bocado malandros e então ficou ali de sentinela para não nos deixar sair.

E nós dissemos um ao outro que, só por ele não nos deixar sair, íamos “partir” tudo no dia seguinte no jogo. E o mais engraçado é que eu joguei e ele ficou no banco. Só que, na segunda parte, estávamos a perder por 1-0, o Pedro entrou para o meu lugar. O Pedro marcou e o jogo acabou por ir a penáltis. Mas calma, ainda há mais: nós ganhámos e foi ele que marcou o penálti decisivo.”

O clube do distrito de Viana do Castelo acabaria por ser eliminado nos quartos de final, diante do Nacional, mas a marca tinha sido deixada. Pedro Tiba ainda experimentou os ares da Grécia, quando esteve ao serviço dos Kastoria, mas as coisas não correram nada bem e o jogador natural de Arcos de Valdevez regressou a casa. Passou pelo Valenciano e pelo Limianos, mas foi ao serviço do Tirsense que Pedro Tiba aguçou o apetite dos clubes da Primeira Liga, sobretudo do Vitória de Setúbal, clube sempre atento às divisões secundárias.

Pedro Tiba com as cores do Vitória de Setúbal. Foto: André Pereira/Lusa

Em Santo Tirso, jogou como falso ponta-de-lança, disse o amigo Paulo Amaral e depois partiu à conquista do Sado. Em Setúbal deu nas vistas e esteve apenas uma temporada. Daí foi para o SC Braga que, segundo as notícias da época, bateu a concorrência do Sporting que também estava de olho em Tiba. Pode-se dizer então que o jovem Pedro seguiu as pisadas do pai, em tempos um lateral-direito daqueles de “antes quebrar do que torcer” que jogou no SC Braga, explicou Paulo Amaral.

Pedro Tiba esteve em grande destaque esta temporada, marcou onze golos. Foi uma das pedras basilares da grande campanha do GD Chaves e o jogo da última sexta-feira foi o espelho da época realizada pelo capitão dos flavienses, que ainda tem contrato com o SC Braga. Tiba marcou o primeiro, esteve na génese do segundo e assistiu Matheus Pereira para o terceiro. O GD Chaves venceu 3-2 com uma pincelada de Pedro Tiba.

GD Chaves Paulo Amaral Pedro Tiba Valdevez Vitória de Setúbal
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