Portugal
“Temos Guardiola, Mourinho já mais atrás deste, Jesus está perto”
Redação
2021-04-15 17:50:00
Treinador e autor espanhol afirma que falta “reconhecimento” ao treinador do Benfica

Jorge Jesus é um dos melhores treinadores europeus e provou-o ao conquistar a Taça Libertadores. No entanto, como esta é uma prova sul-americana, não teve o mesmo reconhecimento no futebol europeu, onde o técnico do Benfica está numa segunda linha de protagonismo, já perto de José Mourinho, mas ainda bem distante de Pep Guardiola. A opinião é de Andrés Bretones, analista de futebol, treinador e preparador físico, que dedicou a Jesus uma boa parte do mais recente livro, ‘Espaços indefensáveis’.

“Pelo que fez no Benfica e no Brasil”, Jorge Jesus é um dos melhores treinadores do mundo. “O seu palmarés está aí”, insistiu. Falta ao técnico português um reconhecimento internacional que só é possível quando se está à frente de um clube de topo de uma das cinco principais ligas europeias, de acordo com a análise de Bretones. “Está numa equipa grande de Portugal, falta a Jesus dar esse salto para outra liga europeia. Foi capaz de ganhar a Libertadores na América do Sul. Se treinasse uma equipa grande em Espanha, ou um Chelsea ou um Dortmund, provaria isso. Seria ainda mais reconhecido. Temos Guardiola, Mourinho já mais atrás deste, mas Jesus está perto. Falta dar esse passo para outra equipa, que não fosse Portugal, Brasil ou Arábia Saudita”, sustentou o autor e técnico espanhol, de 29 anos.

Dando a Jesus um dos destaques de ‘Espaços indefensáveis’, uma obra sobre “Movimentos táticos e sessões de treino, Andrés Bretones revelou que começou a seguir o treinador quando este assumiu pela primeira vez o comando técnico do Benfica e considerou-o “interessante” para o futebol espanhol. “Comecei a conhecê-lo na primeira etapa no Benfica. Teve as duas finais perdidas da Liga Europa e comecei aí a segui-lo. Mas vi-o mais no Flamengo. Jesus poderia ser um treinador interessante para o futebol espanhol. Tem perfil, encaixava no Atlético Madrid. Se Simeone um dia sair, Jesus encaixava na perfeição”, salientou, durante uma entrevista ao jornal A Bola.

A par de Jesus, Andrés Bretones analisa no novo livro os percursos de Marcelo Bielsa, Roberto Moreno e Xavi Hernández. Quatro treinadores com uma “filosofia semelhante”, baseada num “jogo de posição” que permita construir um “ataque organizado com bola”, embora com “matrizes diferentes na forma como atacam”. Questionado sobre o caso particular de Jorge Jesus, classificou-o como um técnico “muito completo”.

“Gosto das equipas dele, são ofensivas e procuram protagonismo com bola. Fazem coisas diferentes, como a mobilidade dos jogadores. Há sempre linhas de passe, jogadores em movimento. Ofensivamente, têm automatismos muito bons. Dominam muito aquilo a que chamamos no livro espaços indefensáveis, que não se podem defender, o espaço entre linhas. Vê-se muito agora com o Rafa. Gosta de ter jogadores entre linhas. Não tem o jogo posicional de Guardiola, que o domina a um nível máximo. Destaco a mobilidade dos jogadores, passar e desmarcar, muita dinâmica a atacar. No ataque trabalha muito as desmarcações de rutura nas costas dos defesas contrários”, complementou.