Bancada à conversa com o presidente da SAD do Sporting que rompeu um jejum de 18 anos no campeonato há 20 anos
Luís Duque é um dos nomes mais marcantes da história do Sporting já que sob a sua liderança na SAD verde e branca, há precisamente 20 anos, os leões interromperam um longo jejum de 18 anos sem vencer o título. Naquela tarde em Vidal Pinheiro, o Sporting quebrou uma longa travessia pelo deserto do título, quando “muitos não acreditavam”. Passaram 20 anos e o Sporting volta a estar arredado da maior conquista em Portugal há quase duas décadas.
Neste dia marcante para os sportinguistas, o Bancada conversou com o ex-presidente da SAD leonina, Luís Duque, para saber se é possível, em breve, o emblema de Alvalade voltar a ser campeão.
“É possível como na altura também foi possível e ninguém acreditava. Não era muito diferente a solução”, afiançou Duque, falando das dificuldades que naquele tempo também teve de enfrentar.
“Foi um título muito importante para o Sporting, muito vivido e sentido pelo Sporting e existiu num clima de alguma unidade e estabilidade”, afirmou Luís Duque, deixando bem claro que, entre vários cargos que já desempenhou no futebol, aquele que ainda hoje o faz encher o peito de orgulho foi ter presidido à SAD do Sporting.
Duque reforça a ideia de que o Sporting tem condições para lutar pela conquista do título.
“Não é complicado, não é difícil. Não são apenas as questões orçamentais. Nesse ano, também não davam o Sporting como favorito. O Sporting era e é candidato pela grandeza mas as coisas eram a dois. Foi possível fazê-lo com um plantel mais barato que os outros, com uma estrutura mais barata que os outros, mas pensando bem as coisas e num clima de estabilidade, que faz falta ao Sporting”.
E é com o exemplo do passado que o ex-presidente da SAD do Sporting projeta o futuro.
“As pessoas têm de perceber que os dirigentes eleitos têm de cumprir os mandatos. Os balanços fazem-se no fim dos mandatos. As pessoas têm de perceber que há medidas que são tomadas e não colhem a aprovação da grande maioria dos sportinguistas mas há razões que não podem ser públicas e têm de ficar dentro de casa. Mais tarde a história conta-as”.
Nesta entrevista ao Bancada, Duque disse também que os sportinguistas têm de perceber que nisto do futebol “a sorte e outros fatores externos também condicionam”.
“O Sporting não foi campeão nos últimos anos não apenas pelas fraquezas internas. Foram alguns azares e outros fatores externos à competição. O Sporting podia ter ganho aí um ou dois campeonatos se não houvessem umas anomalias que aconteceram. Digo aos sportinguistas que isto é possível.”
A realidade financeira dita muito do que pode ser o sucesso, ou não, dos clubes mas Duque confia que em Alvalade existem condições para levar o leão ao mais alto patamar do futebol nacional.
“O Sporting não tem o plantel dos outros, não tem isto nem aquilo, não acompanha as instâncias… mas o que é certo é que foi feito um esforço e se foi possível [em 1999/00 e 2001/02], agora também poderá ser. Temos de criar as condições internas”, apelou, numa mensagem de união entre todos “junto de quem foi eleito”.
“Não podemos estar diariamente a questionar o que se passa no Sporting. Não podemos estar sempre a construir e destruir todos os anos. Isto cria um clima que não é propício. Os outros clubes têm uma estabilidade diretiva muito grande. Falta ao Sporting essa paz, essa estabilidade”.
Entre as vantagens que o Sporting tem, no entender de Luís Duque, está a massa associativa.
“Os adeptos do Sporting são fantásticos. Não ganham e vão ao estádio, vibram, apoiam”, referiu, criticando a “quantidade de notáveis que dizem coisas sobre o Sporting”.
“Uns governam porque foram eleitos e outros não foram mas querem governar de fora para dentro. Este clima não favorece o Sporting.”
Luís Duque sublinhou ainda que quando assiste a declarações de António Salvador, presidente do SC Braga, sobre o desejo de ser campeão, nota que o Sporting tem de pensar e realizar uma missão idêntica.
“Com todo o respeito que tenho, e é muito pelo SC Braga, o Sporting tem condições muito maiores para ser campeão que o SC Braga. É possível. Há 20 anos também não parecia. Ganhou-se e podiam ter chegado outros”, destacou, lembrando o ADN verde e branco no que toca à formação.