Portugal
"Sporting já podia ter sido campeão se Varandas não faz aquele disparate"
2021-05-13 18:25:00
Sousa Cintra recorda despedimento de Peseiro após comissão de gestão "ter unido os cacos todos"

O Sporting continua a festejar a conquista da I Liga 2020/21, colocando fim a um jejum que durava desde 2002. Mas este título podia ter sido alcançado há três anos, quando a comissão de gestão apostou em José Peseiro, treinador que viria a ser despedido em novembro de 2018 pelo novo presidente leonino, Frederico Varandas.

“Podíamos ter sido campeões naquele ano [temporada 2018/19], se o presidente Varandas não tem feito o disparate que fez de mandar algumas pessoas embora”, afirmou Sousa Cintra, que à data tinha sido nomeado presidente da SAD na sequência do processo de destituição dos órgãos sociais liderados por Bruno de Carvalho. Esse campeonato terminou com a vitória do Benfica de Bruno Lage, com 87 pontos, mais dois do que o FC Porto, com o Sporting a somar 74 pontos, ocupando o último lugar do pódio.

Lembrando os “jogadores fantásticos” que constavam nesse plantel, como Bruno Fernandes, Bas Dost e Nani, Sousa Cintra lamentou que Varandas tenha despedido Peseiro para apostar no holandês Marcel Keizer. “Quando saí, o Sporting estava em primeiro lugar e já tinha jogado com Benfica e SC Braga. Estava no bom caminho”, lembrou, em declarações na A Bola TV.

“O Peseiro estava a fazer um bom trabalho, tínhamos uma equipa muito boa”, continuou o ex-dirigente leonino: “A equipa estava comprometida e a prova é que ganhávamos os jogos. O presidente pensou de forma diferente, mandou embora este e aquele e destruiu um pouco a equipa. O Sporting acabou por cair e mandaram o Peseiro embora”.

“Cinco treinadores num ano, o que é isso? Aqueles treinadores todos não há memória”, acrescentou Sousa Cintra, não escondendo a mágoa com algumas decisões de Frederico Varandas: “Fizeram as coisas para dar a impressão que o trabalho feito pela comissão não servia. Mas unir aqueles cacos todos foi um trabalho realmente grande em todos os aspetos”.

Para que o universo leonino não esqueça, o ex-dirigente recordou que que pegou no Sporting “numa situação muito complicada”. “Como se sabe, peguei no Sporting quando estava numa situação que nem vale a pena lembrar, devemos é lembrar-nos das coisas boas. O Sporting estava naquela situação que não vale a pena recordar, mas vale a pena recordar que alguém tinha de chegar e ter a coragem de pôr aquilo a funcionar. Assim aconteceu, houve coisas que tive de fazer, mandar muita gente embora, alterar muitas coisas, tinha de resolver aquilo, tinha de reduzir as despesas do clube. Reduzi dez milhões em salários”, salientou.

Após esse regresso a um passado recente, Sousa Cintra reiterou o "amor ao Sporting", garantindo que continua disponível para servir o clube sempre que tal for necessário. "Estive no Sporting aqueles anos todos. O presidente com mais anos no Sporting foi o João Rocha e depois estou eu. Eu defendi o clube de alma e coração como continuo a defender. Servi o Sporting, não me servi do Sporting. Nunca ganhei um centavo, nunca apresentei uma fatura das minhas despesas pessoais, zero. Isso ninguém me tira. Não fomos campeões por razões que toda a gente sabe, não ganhava quem jogava melhor, ganhava aquele que tinha de ganhar", finalizou.