Portugal
Sporting faz “propaganda barata” após arquivamento do Cashball, acusa ex-vice
2021-04-14 17:50:00
Alexandre Godinho critica intenção da SAD leonina em se constituir como assistente no processo

O arquivamento do processo Cashball, que tinha como principal arguido André Geraldes, à data o diretor geral da SAD do Sporting, volta a marcar a atualidade leonina. O ex-dirigente, que atualmente lidera a SAD do Estrela da Amadora, foi ilibado, com o Ministério Público a decidir não pronunciar (levar a tribunal) a SAD do Sporting. “Todo este processo foi um circo mediático sem precedentes. A justiça não se faz nas televisões, demorou mas funcionou. Existem pessoas - e muitos ficariam surpreendidos se soubessem de quem se trata - que rezavam para que não fosse esta a decisão. Tenho provas mas por aqui me fico, para já”, comentou André Geraldes, depois de conhecido o despacho de arquivamento.

Só que o Sporting não gostou de se ver envolvido no processo e, confirmado o arquivamento, anunciou que pretende constituir-se como assistente do processo, para “responsabilizar quem tiver de ser responsabilizado”, como explicou o responsável pela comunicação dos leões, Miguel Braga. “Confirmamos o despacho do Cashball. E agora que não houve a tal acusação contra o Sporting, vamos requerer a constituição como assistentes, para seguir o processo e não deixar de responsabilizar quem tiver de ser responsabilizado”, adiantou o porta-voz dos leões.

O processo Cashball remonta a maio de 2018,  altura em que foram realizadas quatro detenções, por suspeitas de corrupção desportiva. À data, o Sporting era presidido por Bruno de Carvalho. A justificação agora avançada por Miguel Braga foi assim interpretada por Alexandre Godinho, que era vice-presidente dos leões, como uma ‘provocação’ da direção de Frederico Varandas ao executivo de Bruno de Carvalho.

“É somente propaganda barata para manipular os mais desatentos”, escreveu Alexandre Godinho, que é advogado, ao comentar uma publicação no Twitter, a lamentar que o Sporting não tenha tido “a mesma destreza” para se constituir assistente no caso E-Toupeira e, dessa forma, poder recorrer da não pronúncia da SAD do Benfica.

O Sporting “podia/devia ser assistente desde a origem” do processo Cashball, realçou Alexandre Godinho, acrescentando que isso “estava previsto em 2018”, quando surgiu o caso. Em meados de junho, os sócios leoninos votaram a favor da destituição da direção de Bruno de Carvalho. Desta forma, o antigo vice-presidente deu a entender que a equipa de Bruno de Carvalho, da qual fazia parte, só não se constituiu como assistente no processo devido à destituição.

Ainda no mesmo comentário, Alexandre Godinho criticou a direção de Frederico Varandas pela demora em requerer a constituição como assistente, que a acontecer agora, depois do arquivamento do processo, não terá “valor processual”. “Não tem valor real nem terá processual. Conforme declarado publicamente por estes órgãos sociais (inclui Varandas e membros da mesa da Assembleia Geral), este não era o fim que desejavam”, complementou o ex-dirigente leonino.

O despacho de arquivamento do processo Cashball concluiu pela “insuficiência de indícios que conduzam à imputação ao Sporting ou à SAD de crimes de corrupção ativa, cometidos no seu interesse”, com André Geraldes a ser ilibado. Os arguidos Gonçalo Rodrigues (ex-funcionário do Sporting), João Gonçalves (empresário) e Paulo Silva (o denunciante do caso) a serem acusados de 14 crimes de corrupção ativa a árbitros de andebol.