Portugal
“Se o jogador quiser, o treinador é um bluff”, afirma Maniche
2021-02-17 16:15:00
“O treinador pode ser muito bom, mas passa a ser medíocre, se os jogadores não acreditarem nele”, defende

Há vários fatores que justificam este sucesso de Rúben Amorim, mas, segundo Maniche, nenhum deles foi colocado ainda em cima da mesa de debate com o devido destaque: a disponibilidade dos jogadores em catapultar o técnico para patamares elevados. E o facto do plantel acreditar no técnico do Sporting, o que constitui um mérito de Amorim. 

“O principal fator que explica o sucesso de Rúben Amorim é a disponibilidade dos jogadores do Sporting para acreditarem nas ideias do treinador. Podem dizer o que quiserem: os jogadores é que fazem os treinadores. Ponto final”, defendeu Maniche, no Futebol Total.   

Não venham com histórias e mais histórias. Se o jogador quiser, o treinador é um bluff. Se o jogador não corre, se não acredita nos processos do treinador, o treinador até pode ser muito bom, mas passa a ser medíocre. Se o jogador quiser... Basta quatro ou cinco e acabou”, salientou ainda o antigo internacional português, que concede a Rúben Amorim essa capacidade de unir o grupo a uma só voz. 

A estratégia do Sporting não foi muito falada, mas foi muito bem conseguida. Falam a uma só voz”, destaca Maniche, lembrando a aposta em alguns reforços que acrescentaram, bem como o facto de a equipa ter deixado as competições europeias de forma precoce, o que permitiu gerir o calendário sem pressão de recuperar jogadores.  

E quando o debate se desvia desta força do balneário, Maniche recentra a conversa e insiste que nenhum treinador conseguirá ser bem-sucedido se não tiver o grupo consigo: “Estamos a fugir do mais importante. Estamos a esquecer aquilo que é mais importante: o trabalho de balneário. Rui Amorim é coerente e tem o balneário na mão. Isso é o mais importante. 

Para Maniche, esta ideia ajuda a explicar o facto de jogadores de grande valia não apresentarem rendimento, em algumas equipas, não obstante os elevados investimentos feitos.  

Já vimos outras equipas a contratar jogadores por ‘x’ valor, mas depois não rendem. Temos de valorizar o trabalho técnico e tático do Rúben, mas também a comunicação no balneário, a coerência. Só assim se ganha um grupo. O resto são balelas”, concluiu, no programa de debate do canal 11, onde se discutia os motivos do sucesso da equipa do Sporting. 

O antigo futebolista entende que os jogadores têm grande poder, pelo que restará aos técnicos usar armas como a coerência do discurso para consolidar um grupo.