Portugal
"Se não houvesse nada, não havia, não jantávamos. Vivíamos dessa maneira"
2020-11-12 20:05:00
Mbemba recorda a infância na RD Congo e revela planos para o final da carreira

Há três anos na Invicta, Mbemba atravessa agora a melhor fase no FC Porto. Depois de um processo de adaptação a uma nova realidade e a um novo sistema de jogo, o defesa central é hoje uma das peças-chave na equipa de Sérgio Conceição. 

A ascensão de azul e branco coloca o jogador como um dos mais conceituados da República Democrática do Congo, raízes que o central não esquece, não só por ser o início do seu trajeto, mas também por todas as dificuldades que atravessou na infância. 

Esta quinta-feira, em entrevista à ‘Dragões’, Mbemba recorda os momentos difíceis e admite que, certos dias, nem chegava a jantar por não haver comida para pôr na mesa. 

“Em África, as famílias sonham em ser ricas, mas nós não éramos assim. Em certos dias, tomava o pequeno almoço de manhã e depois, à noite, se não houvesse nada, não havia, não jantávamos. Vivíamos dessa maneira, aceitámos essa realidade”, conta. 

As dificuldades deram força para que Mbemba continuasse “a trabalhar”, algo que tem dado frutos nos últimos tempos, deixando o jogador “muito feliz” pela forma como a família se encontra. 

“Trabalho arduamente, de facto. O meu esforço é a pensar na minha família que está no Congo e nas pessoas que estão mais próximas de mim, ou seja, os meus filhos e a minha mulher. Esgoto as minhas forças para dar qualidade de vida aos meus familiares. Não desfruto muito, mas vou fazê-lo quando a minha carreira terminar”, explica. 

De resto, embora filho de mãe basquetebolista e pai jogador de futebol, Mbemba olha para o fim da carreira com interesse na área da eletricidade, setor que estudou em África, essencialmente devido a um tio. 

“Estudei em África para tomar profissional nessa área, mas tive de abandonar os estudos por falta de meios. Era uma espécie de paixão minha, que se desenvolveu a partir do momento em que comecei a ver o meu tio desempenhar a atividade. Perguntei a mim próprio por que não faria o mesmo”, começa por dizer o defesa.

“Quando a acabar a carreira de futebolista, quero manter-me no mundo do futebol, mas também voltarei a dar atenção ao setor da eletricidade para aprender um pouco mais. É algo perfeitamente normal na vida”, conclui. 

Aos 26 anos, a carreira de Mbemba ainda está longe de terminar, com o jogador a atravessar uma das melhores fases, sendo um dos pilares de Sérgio Conceição, ao lado de Pepe, no centro da defesa. Esta época, o internacional pela RD Congo soma 10 presenças e um golo marcado.