Cândido Costa fala de uma “atitude bárbara” do empresário contra “uma pessoa inocente”
O antigo futebolista Cândido Costa confessou-se hoje “chocado” com o comportamento do agente Pedro Pinho, que agrediu ontem um repórter de imagem da TVI, que fazia a cobertura do jogo entre o Moreirense e o FC Porto.
“Só soube hoje de manhã que era o meu querido Francisco, que me ajudou tanto nas peças que fizemos em Paredes. Foi sempre gentil comigo. Falei com ele hoje e enviei-lhe um abraço. Senti-o perturbado. Ele estava a fazer o seu trabalho e dá-se este acontecimento. Senti que ele não queria ser falado por isto. Condeno de forma veemente esta situação”, começou por dizer o ex-futebolista, na TVI24, num relato onde lembrou o papel daquele repórter de imagem, o facto de não ter culpa das frustrações alheias e a sua indiferença perante o resultado de um jogo de futebol.
“Eu não admito ofensas. Não as faço a outros, não admito que as façam a mim. Mas como me é concedido o espaço televisivo, até compreendo que algumas pessoas que discordam de mim me digam o que quiserem. Agora, agressões a profissionais que deixam o carro longe do local de trabalho, que carregam às costas câmaras pesadíssimas, numa profissão que dão permite andar de Jaguar, de Porsche, ou ter casas à beira da praia? São profissionais que fazem o trabalho o melhor que sabem, que estão a marimbar-se se ganha o FC Porto, o Benfica ou o Sporting, que chegam a casa todos amassados, fisicamente e emocionalmente. Não há aqui clubes. Quantas agressões como estas acontecem com as câmaras desligadas? São pessoas que não têm direito a opinião. Que fazem perguntas para alguém responder. Levantam-se de manhã para ir fazer perguntas”, lembra o ex-futebolista, num ato de pedagogia para que se perceba o papel dos profissionais de comunicação.
“Não foi o Francisco que escolheu a equipa, não foi o Francisco que não assinalou grandes penalidades, não foi o Francisco que perdeu a cabeça no final do jogo. Não foi o Francisco. O Francisco era um operador de câmara que estava ali ao frio a tentar captar imagens das principais figuras do futebol. Sérgio Conceição, Pinto da Costa… só isso”, prosseguiu Cândido Costa.
O ex-futebolista revela que não conhece pessoalmente Pedro Pinho, o empresário que agrediu o repórter da TVI, mas conta que chegou a trocar mensagens com ele, por diversas vezes. E Cândido manifesta-se surpreendido com as imagens que viu, captadas pela própria vítima. “Ele é agente desportivo e eu, na busca de informação, troquei mensagens. Não tinha esta imagem de Pedro Pinho e confesso que fiquei chocado. Estas imagens são chocantes e as ações têm de ser condenadas. Isto é indefensável. Se fosse o meu pai naquelas imagens, eu não tinha argumentos para o defender”, acrescenta o ex-jogador.
Mas quem é este agente? “Pedro Pinho é um empresário do futebol, claramente ligado ao FC Porto. Tem vindo a ser, nos últimos anos, discutido no universo do FC Porto. Tudo o que é dito parece-me que revela um desconhecimento gritante, quer nas questões negativas, quer nas positivas. As pessoas não sabem muito bem quem é Pedro Pinho e ‘navegam na maionese’”, conta o antigo jogador, agora comentador da TVI.
Segundo Cândido Costa, esta força de Pedro Pinho junto do FC Porto – um empresário com grandes meios financeiros – resulta do facto de o agente ter sido “uma excelente ajuda num momento crítico do FC Porto”. Pinho tem grande poder junto dos azuis e brancos e será o empresário mais influente no reino do dragão. “Esteve ao lado do clube quando o clube mais precisou”, conta Cândido Costa.
O empresário tem grande proximidade com Pinto da Costa. No último ano, realizou cinco negócios: renovação com o Chidozie, transferência de Francisco Santos para o Tianjkin Teda, renovação de Sérgio Oliveira com o FC Porto, compra de Yonny Palacio ao Leones FC e também a compra de Jermaine Rojas ao mesmo clube. Estes foram os únicos negócios no último ano como intermediário.
Sobre esta agressão que transportou o empresário para o mediatismo, Cândido é veemente. “É uma atitude bárbara, perfeitamente gratuita, contra alguém que não fez nada a ninguém. É muito mau para ser verdade. Condeno esta ação de forma veemente. Alguém inocente, que não fez mal a ninguém vê a vida devastada”, aponta.
Refira-se que também a Associação Nacional de Agentes de Futebol (ANAF) condenou hoje “toda e qualquer forma de violência no Desporto e fora dele”, na sequência dos incidentes que marcaram o jogo Moreirense-FC Porto, na segunda-feira, da I Liga.
“Os espetáculos desportivos devem ser momentos de paixão pelo jogo e locais onde todos possam aceder de forma segura e exercer as suas funções em boas condições e em liberdade”, pode ler-se no curto comunicado divulgado pelo ANAF.
Estas posições públicas surgem na sequência de um incidente ocorrido após a partida entre o Moreirense e o FC Porto, no qual um jornalista da TVI foi agredido nas imediações do estádio do Moreirense, de acordo com imagens transmitidas pelo próprio canal de televisão.
O FC Porto empatou a um golo em Moreira de Cónegos e, além da referida agressão, registaram-se outros incidentes devido aos protestos do ‘banco’ portista no final do jogo à equipa de arbitragem dirigida por Hugo Miguel, que culminaram com a expulsão do treinador Sérgio Conceição.
