Hacker recupera publicação no Football Leaks de 2016 e pede “esclarecimento, por uma questão de transparência”
O presidente do FC Porto, Pinto da Costa, esclareceu ontem os contornos da ligação do empresário Pedro Pinho, suspeito da agressão a um repórter de imagem da TVI em Moreira de Cónegos, com o clube azul e branco. O dirigente dos dragões desmentiu que o empresário tenha recebido dos dragões “16 milhões em cinco anos”, como foi avançado por alguma imprensa. “Fiquei assustado”, comentou Pinto da Costa.
Segundo o presidente do FC Porto, no mesmo período de cinco anos, Pedro Pinho recebeu do clube 3,3 milhões de euros. “Mas acrescente-se que meteu 7,5 milhões nos cofres do FC Porto, com o empréstimo do Casemiro”, realçou Pinto da Costa, na entrevista de ontem ao Porto Canal: “Esteve envolvido nessa operação, o Real Madrid pagou-nos 7,5 milhões para o recuperar”.
Esta explicação, porém, não foi suficientemente esclarecedora para Rui Pinto. O criador do Football Leaks foi aos arquivos e consultou a informação que tinha publicado no portal, “pela primeira vez, em 30 de março de 2016”, referindo os moldes do negócio entre FC Porto e Real Madrid envolvendo Casemiro, médio brasileiro que o clube espanhol emprestou ao emblema português e depois recuperou.
Ao rever esses dados, Rui Pinto ficou com dúvidas. “Por uma questão de transparência, seria importante o esclarecimento destas negociatas”, frisou o fundador do Football Leaks, depois de relatar algumas comissões que, alegadamente, envolveram também uma empresa de Nélio Lucas, o ex-administrador da Doyen, e uma sociedade de Pedro Pinho e Alexandre Pinto da Costa, o filho do presidente do FC Porto.
De acordo com a informação avançada pelo Football Leaks, o “negócio Casemiro” teve início em 27 de junho de 2015, quando o FC Porto exerceu o direito de opção de compra. Dias depois, a 3 de julho, o Real Madrid bloqueia essa opção de compra, tendo assim de pagar a cláusula penal de 7,5 milhões de euros, o valor indicado por Pinto da Costa na entrevista de ontem.
O Real Madrid pagou esses 7,5 milhões a 5 de julho. No dia 12, “a Vela Management Limited de Nélio Lucas emite uma fatura dirigida ao FC Porto para o pagamento de uma comissão de 1,26 milhões de euros”. Sempre de acordo com os dados publicados por Rui Pinto, nos finais de junho, a Vela Management Limited e a Energy Soccer, sociedade de Alexandre Pinto da Costa e Pedro Pinho, “assinam um contrato de prestação de serviços com data de 14 de janeiro de 2015, comprometendo-se Nélio Lucas a pagar 700 mil euros à Energy Soccer”.
Surge então a dúvida que, “por uma questão de transparência”, Rui Pinto gostava de ver esclarecida. “Estes 700 mil euros estão incluídos nos tais 3,3 milhões de euros que Jorge Nuno Pinto da Costa referiu ontem em entrevista ao Porto Canal?”, questionou o hacker, numa ‘thread’ no Twitter em que questiona também “as verbas dos contratos de ‘scouting’ elaborados entre FC Porto, Vela e Energy Soccer”.
Na mesma entrevista, Pinto da Costa afirmou que Pedro Pinho “é adepto do FC Porto, é sócio do FC Porto, mas não tem nenhum cargo”, quando comentava o caso da alegada agressão em Moreira de Cónegos. “É empresário de futebol que trabalha com muitos clubes e não só com o FC Porto”.
Thread acerca do negócio Casimiro. Explicado pela primeira vez no #FootballLeaks em 30 de Março de 2016.
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27/06/2015 – FC Porto exerce o direito de opção de compra
03/07/2015 – Real Madrid bloqueia essa opção de compra e é accionada a cláusula penal de 7.5 milhões de euros— Rui Pinto (@RuiPinto_FL) April 29, 2021
