Portugal
Róger Guedes, o valor da família, as tatuagens e o FC Porto no horizonte
2018-06-30 16:00:00
O melhor marcador do Brasileirão, com nove golos em 12 jogos tem no pai, treinador, o seu grande conselheiro

As incontáveis tatuagens espalhadas pelo corpo e a cara fechada, de poucos amigos, sempre que surge diante da Comunicação Social, dão um ar de "bad boy" a Róger Guedes, o extremo de 21 anos do Atlético Mineiro que está a ser associado ao FC Porto para ser o substituto de Brahimi, no caso de o argelino ser transferido. Mas este é um caso em que as aparências iludem mesmo. Fora e dentro dos relvados.

Fora dos relvados, Róger Guedes é discreto, não é de falar muito e são raras as entrevistas que dá. O entusiasmo surge quando é desafiado a comentar as próprias origens. A cidade de Ibirubá, no interior do Rio Grande do Sul, e a família são o motivo de orgulho para o jovem de 21 anos que iniciou a carreira nas categorias de base do Criciúma. Aos 16 anos, foi promovido a profissional e conseguiu chamar a atenção do Palmeiras que o contratou em abril de 2016.

"Quando o estádio enche, tem mais gente do que na minha cidade", admitiu, entre risos, numa entrevista ao GloboEsporte.com. quando estava no Palmeiras em que o tema família foi hipervalorizado pelo jogador. A terra natal do avançado, situada a 300 quilómetros da capital Porto Alegre, tem 25 mil habitantes, cerca de 15 mil a menos do que a capacidade da arena alviverde. Após ganhar destaque em Criciúma, a mudança para São Paulo alterou a rotina à qual estava habituado. "Há muito trânsito...", detetou logo quando chegou, o que o levou a alugar um apartamento perto do Centro de Treinos e do estádio. O mesmo aconteceu quando se mudou para Belo Horizonte para jogar no Atlético Mineiro, onde brilha atualmente, cedido esta época pelo Verdão.

Todos os dias, seja após um treino ou um jogo, Róger Guedes mata saudades ao telefone com os pais e o irmão. Uma rotina que agora em Belo Horizonte mantém-se intocável. O pai, Valter, apelidado de Neco em Ibirubá, é treinador de futebol, orientando o Vila Nova, uma equipa local, há 34 anos. "Todos os dias, o meu pai liga-me. Está sempre a controlar-me (risos). Ele conversa muito comigo e isso ajuda-me. Ele percebe muito de futebol e quando tenho dúvidas ele aconselha-me. Falo também com a minha mãe e o meu irmão. Eles dão-me todo o apoio possível". Filho mais novo, Róger acabou por realizar o sonho do pai, que nunca se profissionalizou embora estivesse sempre ligado ao futebol. No peito, para simbolizar a família o extremo do Atlético Mineiro tatuou um desenho com três pessoas: ele próprio, a esposa Sindi e o filho Ryan. Ao lado deste, uma bola.

O perfil discreto fora de campo, longe das festas e aparições públicas, inverte-se dentro das quatro linhas. Róger Krug Guedes é a grande revelação do Brasileirão 2018. Com nove golos em 12 jogos é o melhor marcador da prova e a grande figura da Atlético Mineiro que o recebeu por empréstimo do Palmeiras. O Verdão detém 25 por cento do passe e os direitos federativos, mas é o Criciúma quem possui a maior fatia do passe: 75 por cento.

Róger, de 21 anos, tem atuado nos últimos tempos como extremo-esquerdo, mas antes jogava pela direita e já foi utilizado como segundo avançado, posição na qual iniciou a carreira. É um desequilibrador nato, e está a atravessar uma fase de grande objetividade. O elevado indíce de concretização que está a patentear no Brasileirão é o seu grande cartão de visita, mas tem outras caracteristicas: é um extremo que desequilibra pela velocidade e capacidade técnica, mais explosivo e rápido do que Brahimi, embore procure menos o jogo interior do que o argelino, de acordo com o "Uol Esportes". O empresário do jogador Paulo Pitombeira, fala de um jogador "veloz e dotado de boa técnica".