Portugal
“Raramente o nosso laboratório foi realçado. No Benfica, era muito realçado”
2020-09-04 13:10:00
Sérgio Conceição recusa “provincianismo”, mas lamenta falta de reconhecimento em lances "de qualidade fabulosa"

Em entrevista ao jornal O Jogo, Sérgio Conceição destacou a qualidade do futebol apresentado pelos dragões, sobretudo em lances de ‘laboratório’, que na sua opinião têm feito a diferença, na conquista de vitórias importantes que conduziram a um período positivo de dois títulos de campeão nacional em três épocas.

“Temos muitos golos de esquemas táticos, as bolas paradas, com várias combinações, e raramente o nosso laboratório foi realçado. Lembro-me de que, há alguns anos, no Benfica – e estou a falar no Benfica não é por provincianismo ou pequenez – era muito realçado esse facto”, afirmou, aludindo aos tempos em que Jorge Jesus era treinador dos encarnados.

Numa conversa que detalhou vertentes táticas do campeão nacional, o técnico do FC Porto enfatizou o seu pragmatismo na procura de resultados, ainda que discorde da teoria de que a equipa não produziu bom futebol. E deu como exemplo alguns lances “de qualidade fabulosa”.

“Sou pragmático, mas gosto da beleza do futebol. Basta ver golos que fizemos nestes três anos. Há alguns de uma qualidade fabulosa e golos feitos de uma forma mais elaborada, mais cuidada, outra de forma mais direta”, explicou.

Numa viagem pelo primeiro título de campeão que conquistou no FC Porto, Conceição destaca as bolas paradas para conseguir ascendente sobre o Benfica, então orientado por Rui Vitória e, mais tarde, por Bruno Lage.

“Recordo-me de tudo o que foi dito e escrito e não foi realçada a beleza de lances que nós trabalhámos. Dedico unidades de treino a essas situações de bolas paradas, ofensivas e defensivas, e não foi por acaso que fomos a defesa menos batida e o melhor ataque”, afirma o técnico, revelando que um dos segredos do FC Porto reside no facto de surpreender o adversário, precisamente nas bolas paradas.

Sérgio Conceição lembrou ainda que o FC Porto, nas últimas três épocas, ultrapassou sempre os 80 pontos. E não deixa de comentar o maior falhanço da época: a derrota com o Krasnodar, que custou a fase de grupos da Liga dos Campeões.

“Tivemos esse dissabor de não ter corrido tão bem a Europa, mas criando um grupo de certa forma consistente e melhorando gradualmente a nossa equipa. Conseguimos conquistar dois títulos”, resumiu, numa longa entrevista.

Já num olhar sobre a nova época, o treinador portista manifesta otimismo e a ambição de sempre, sentimento que é recíproco, na equipa técnica e nos jogadores.

"Depois de ganharmos neste ano dois títulos importantes para o clube, sinto que eles estão exatamente como quando entrei aqui no primeiro ano, com uma vontade enorme de reverter o que foram os anos anteriores. Vi o grupo agora com o mesmo comportamento, ambicioso, determinado, com uma vontade enorme de aprender", afiançou. 

Sobre o planeamento da temporada, Sérgio Conceição conta que, depois da final da Taça de Portugal, trabalhou durante três dias, para analisar a época passada, planear a pré-época e transportar essa informação ao presidente Pinto da Costa.

“O presidente sabe dessa minha exigência, que também é dele. É o mais titulado do mundo e quer ganhar tanto como eu”, realçou.

A qualidade do plantel para a nova temporada está garantida, segundo o técnico, que se mostra pouco preocupado com as contratações dos rivais: “Não vamos baixar nada, zero. Nem vamos pensar que vamos defrontar Benfica, Sporting, Braga ou Vitória com determinados nomes ou determinada equipa técnica. Olhamos para a equipa em si, para a forma como o treinador pensa o jogo e a estratégia e, a partir daí, vamos a jogo”.