Portugal
"Quem quer jogar demasiado bem pode sair prejudicado", diz Rui Vitória
Redação
2021-02-03 12:05:00
"O plantel é recheado de belíssimos jogadores", refere o ex-técnico encarnado

Antigo treinador do Benfica, Rui Vitória entende que no estado atual do futebol português, sobretudo nos clássicos, "quem quer jogar demasiado bem pode sair prejudicado".

Além disso, o treinador refere que o sucesso das equipas ao longo de uma maratona como é o campeonato reside na estrutura defensiva e na sua capacidade para dar segurança ao conjunto no seu todo.

"Quem tem boas defesas está mais próximo do sucesso", vaticina Rui Vitória, confiando que as "equipas grandes têm de ir para a frente sabendo que atrás estão guardadas".

Nesta lógica, Rui Vitória, atualmente sem clube, sustenta ainda que "uma boa organização defensiva ganha campeonatos" e, numa altura em que o Benfica está a nove pontos da liderança e soam alarmes na Luz, apesar das garantias dadas por Rui Costa de que ninguém vai atirar a toalha ao chão, o ex-técnico destaca que soluções não faltam a Jorge Jesus para tentar dar a volta ao texto.

"O plantel é recheado de belíssimos jogadores", destacou Rui Vitória, lembrando, aí falando mais genericamente, que é necessário que uma equipa tenha uma ideia vincada.

"Uma equipa grande tem uma identidade", referiu, dizendo que esta demora sempre algum tempo até ser conseguida, mas salienta que esta será sempre a base de tudo que se pretende construir.

Em relação ao facto de agora ser cada vez mais comum ver-se modelos táticos com três centrais, tal como Jesus apresentou no recente dérbi de Alvalade contra o Sporting, Rui Vitória, embora destacando que não falava no caso em concreto, foi insistindo na ideia de que a identidade leva sempre tempo a ser conquistada e mudá-la poderá aportar riscos.

Em conversa no canal 11 e relativamente ao facto de ser muitas vezes considerado como um dos técnicos que mais aposta na formação, Rui Vitória explicou que essa aposta deve ser "pensada" e deve ir ao encontro do que está definido pela estrutura e também em relação ao que é a filosofia de um clube.

Ainda assim, Rui Vitória não escondeu que, por vezes, "é um bocadinho maluquice" quando se aposta num determinado miúdo da formação. Mas salientou que faz parte do processo, justificando que, no caso do Benfica, o "benfiquista aceita a formação".

Diferente enquadramento nota em relação a jogadores contratados no campeonato português, lembrando que longe vai o tempo em que jogadores como Vítor Paneira chegavam à Luz e se impunham. 

Rui Vitória explicou que os jogadores precisam de tempo, até porque os treinadores portugueses "são chatos" e exigem certos pormenores que, por vezes, o atleta poderá levar tempo a adquirir.

De igual modo, no futebol moderno, Vitória explicou também a necessidade de se perceber o trabalho a nível mental que deverá ser sempre feito, já que, deu conta, num plantel os jogadores têm várias proveniências e podem ter problemas famíliares que os afetam no rendimento.

Rui Vitória deu o exemplo de jogadores da "Argentina, Brasil, Chile" que estão longe da sua terra e por vezes uma situação de saúde por lá poderá afetar o seu rendimento por cá.

Ainda em relação ao enquadramento que deve ser dado aos jogadores, Vitória deu o exemplo do FC Porto que tem contratado no mercado nacional e as aquisições que são potenciadas pelo treinador.

"Temos de perceber onde estamos", avisou Rui Vitória, dando o exemplo de Manafá que, aos poucos, tem vindo a conquistar o seu espaço no onze de Sérgio Conceição.