Portugal
"Que a primeira parte sirva de exemplo ao Sporting", diz Rui Vitória
Redação
2021-02-10 20:00:00
Treinador elogia forma como Rúben Amorim transfigurou a equipa ao intervalo

A fraca exibição do Sporting na primeira parte do jogo com o Gil Vicente, reconhecida pelo treinador Rúben Amorim, foi um importante “exemplo” para as dificuldades que os leões podem esperar no resto do campeonato, segundo Rui Vitória.

O antigo treinador do Benfica deu “mérito ao Gil Vicente”, pela forma como “cortou muito do jogo ofensivo do Sporting”, mas alertou que um candidato ao título não pode ficar à espera que “as coisas aconteçam”.

“Esta primeira parte do Sporting, que não é muito bem conseguida, é muitas vezes típica desta parte do pré-jogo, em que de repente há um candidato ou dois que perdem pontos no jogo anterior”, explicou.

“Os jogadores vão pensar que mais tarde ou mais cedo as coisas acontecem. Que isto sirva de exemplo a quem anda a competir a este nível, todos estes pequenos pormenores podem pagar-se caro”, insistiu Rui Vitória.

O técnico elogiou a forma como Rúben Amorim transfigurou o Sporting ao intervalo, “sem mudar de sistema tático”. “Mudou as caraterísticas dos jogadores e a equipa deu outra resposta. Manteve o posicionamento trocando jogadores. Depois, é o acreditar, tanta bola lá foi... É de quem acredita que a qualquer momento vai fazer golo e foram beneficiados por isso”, acrescentou.

Ficou, no entanto, o aviso da primeira parte, que “acontece muitas vezes” e nem sempre é recuperável: “Os jogadores não são máquinas, por vezes há um pequeno relaxe e quando se acorda é tarde”.

Em declarações no Canal 11, Rui Vitória retomou o argumento da “mudança de caraterísticas” promovida por Rúben Amorim no Sporting, dando como exemplo Paulinho e Tiago Tomás.

“O Paulinho é um jogador de fecho de jogada, pode não participar demasiado na construção para depois estar disponível para atacar os momentos dentro da área. O Tiago Tomás vai a todas, parece que tem um sinal na cabeça ‘metam-me a bola que eu dou resposta’. É o tal exemplo das caraterísticas diferentes”, salientou, complementando que é preciso dar “tempo” para as “combinações” começarem a surgir.

“O Sporting tem uma equipa muito versátil, há uma riqueza muito grande de caraterísticas no plantel”, reforçou o técnico, que deixou ainda um elogio particular a Daniel Bragança: “Vê muitas vezes o que os outros não veem. Mesmo num terreno daqueles, com uns dez jogadores pela frente, vê mais rápido e mais largo do que a maioria dos jogadores”.