Portugal
"Tenho muito a agradecer ao presidente Pinto da Costa", diz Quaresma
Redação
2020-12-04 15:35:00
Internacional português participa em sessão da Web Summit 2020

Ricardo Quaresma, futebolista com 80 internacionalizações pela seleção portuguesa, que representa o Vitória de Guimarães, assumiu hoje que rumar ao Dubai, para disputar o campeonato dos Emirados Árabes Unidos, foi das "maiores asneiras" da carreira.

Durante a sessão "O desafio dos campeões", incluída na programação da Web Summit 2020, o extremo, de 37 anos, falou sobre a carreira de 20 anos no futebol profissional, na qual tomou sempre as decisões, e reconheceu o erro de rumar ao Shabab Al-Ahli, na época 2012/13, quando tinha 29 anos.

"Por muito que as pessoas me dissessem para onde devia ir, sempre fui pela minha cabeça. Houve coisas que, se fossem hoje, não as faria. Uma das coisas que me deu força foi quando eu caí no Dubai [maior cidade dos Emirados Árabes Unidos]. Aos 29 anos, fui para lá muito novo. Foi das maiores asneiras da minha vida", assumiu.

Vencedor da Euro2016 pela seleção portuguesa e campeão nacional de clubes em Portugal, por Sporting e FC Porto, na Turquia, pelo Beskitas, e em Itália, pelo Inter de Milão, emblema em que conquistou ainda a Liga dos Campeões (2009/10), Quaresma disse que estava a "ficar esquecido" naquele campeonato do Médio Oriente, não "tão exigente e competitivo" como os europeus.

"É algo mais para fim de carreira. Muita gente dizia que eu estava acabado, a ficar gordo. Voltei à Europa e percebi que o dinheiro não era tudo. Tenho muito a agradecer ao presidente Pinto da Costa, por me abrir de novo as portas do FC Porto [na época 2013/14]. Foi muito importante para eu mostrar que estava bem vivo", vincou.

O ala realçou ainda que a longevidade da carreira se deve a alguma "sorte", pelo facto de nunca ter tido "grandes lesões", ao facto de sempre ter descansado bem, com uma hora de sono após o almoço e sete à noite, e também às mudanças na rotina alimentar, não tão cuidada nos primeiros anos como profissional.

"Deixei de comer batatas fritas, por exemplo. Quando era jovem, abusava um bocadinho. Ao longo do tempo, comecei a perceber que tinha de mudar certas coisas. Nunca fumei e nunca bebi. Isso ajuda muito a estar 20 anos ao mais alto nível", referiu.

Nas últimas duas décadas, o extremo marcou golos e fez assistências de ‘trivela', técnica referente ao uso da parte exterior do pé, que começou a aperfeiçoar durante o processo de formação, realizado maioritariamente no Sporting, devido a um problema congénito nos pés, demasiado voltados "para dentro".

"Precisava de um tratamento, mas era difícil para os meus pais andarem comigo na fisioterapia. Comecei a aproveitar essa parte de fora [do pé] para fazer as jogadas, os remates e os cruzamentos (...). Houve um treinador, quando já era juvenil no Sporting, que me mandou sair do treino, mas depois acabou por perceber que era algo que já vinha comigo", contou.

Quaresma revelou ainda que vai criar uma fundação em nome próprio, sem, no entanto, dizer qual o fim a que se destina, e prometeu continuar a lutar pela "igualdade" na sociedade portuguesa, depois de, em maio, ter criticado o plano de confinamento específico para a comunidade cigana no âmbito da pandemia de covid-19, proposto pelo líder do Chega, André Ventura.

"Não tinha [a noção do papel social que tinha], mas aí percebi que tinha muita gente do meu lado e que felizmente ainda há muita gente muito boa neste mundo. Todos somos iguais e merecemos ser tratados da mesma maneira, independentemente da cor ou do dinheiro. Ninguém tem o direito de olhar para ti e criticar-te por seres negro, por seres branco, por seres cigano", disse.

A Web Summit, considerada uma das maiores cimeiras tecnológicas do mundo, decorre este ano totalmente ?online' e até sexta-feira, contando com "um público estimado de 100 mil" pessoas, depois de se ter começado a realizar há quatro anos em Lisboa.