Portugal
"Quando saí já havia pressão de se querer ganhar jogos fora das quatro linhas"
Redação
2021-02-11 23:00:00
Jorge Jesus comenta polémicas na arbitragem e deixa recado a clubes e jogadores

O treinador do Benfica, Jorge Jesus, considerou "normal" que o futebol português esteja sempre mergulhado em polémicas envolvendo a arbitragem.

Quando confrontado com os casos mais recentes, durante a conferência de imprensa após o jogo com o Estoril, o técnico lembrou que quando saiu de Portugal já existia "pressão" sobre os árbitros.

“Estive dois anos e meio fora de Portugal e, quando saí, já havia esta pressão de querer ganhar os jogos fora das quatro linhas. Mas falo de todos os clubes”, respondeu.

Jesus apontou a mira aos jogadores, que “gritam para o árbitro sancionar” qualquer contacto que sinta. “São todos. Estão nesta treta", garantiu.

“Hoje em dia, no futebol português, por qualquer coisinha, numa jogada normal, um jogador toca na pestana do outro e parece que lhe arrancaram um olho. Às vezes há jogadas agressivas, mas há outras em que tocam com a unha e eles dão gritos, parece que levaram com um pau”, criticou.

Embalado, o técnico frisou que “tem de se acabar com o antijogo”, lembrando que, durante a passagem pelo futebol saudita, participou em reuniões “com todos os treinadores” para analisar como se poderia melhorar o espetáculo.

“As equipas têm de arranjar uma forma de defender para suportar quando jogam contra equipas melhores. Mas deixar o antijogo, deixar de ter guarda-redes a perder dez minutos de jogo deitados no chão. Tem de ser tudo revisto. Devia fazer-se uma reunião para melhorar o futebol português, eu estaria disponível para isso. Para que se deixem estas tretas, este folclore. E não estou a falar de arbitragem, estou a falar dos jogadores de todas as equipas”, afirmou.

Depois dos jogadores, também os clubes, em particular quem os dirige, mereceram um recado de Jesus: “Para mim, o importante é o futebol português. Não é o que o treinador ou o presidente da equipa adversária diz".

"É importante conjugar ideias em defesa do futebol português. Há esta pressão constante sobre os árbitros, porque pensam que assim é mais fácil ganhar jogos, mas eu não penso assim. Os árbitros têm de ter poder e quem fala muito tem de baixar a bolinha. Venho de um país apaixonado por futebol [Brasil], onde só se fala de futebol e onde não há estas tretas constantes antes dos jogos”, complementou.

De regresso à análise da partida com o Estoril, o treinador do Benfica rejeitou que a Taça de Portugal tenha ganho importância face à distância atual (11 pontos) para o líder do campeonato.

"Para todos os clubes, este é o segundo troféu mais importante da calendarização nacional. Todos gostam de estar na final e de a ganhar. Independentemente do que possa acontecer no campeonato, continua a ser importante para o Benfica. A Taça de Portugal é importante para qualquer clube português, para o Benfica também, que nós últimos anos ganhou em três ocasiões", reagiu.

Ficou, porém, a garantia: o Benfica vai continuar a lutar pelo campeonato. "Não vamos desistir, estamos a sentir que estamos a recuperar e ainda há muito frago para virar. Hoje sentimos que o nosso trabalho vai ter produtividade, porque estamos a trabalhar todos juntos. Andámos no nosso cantinho a sofrer, caladinhos, mas agora queremos sair deste buraco onde entrámos. Temos muitos jogos par mostrar cada vez mais que vamos recuperar a nossa qualidade, mas atenção que não estou a dizer que vamos recuperar os 11 pontos que temos em atraso do nosso adversário", finalizou.