Portugal
"Pior do que as imagens é a entrevista de Pinto da Costa”, diz Barbosa da Cruz
2021-04-30 15:40:00
“Exercício de hipocrisia que não via desde os tempos do árbitro que o foi visitar para pedir conselhos matrimoniais"

Carlos Barbosa da Cruz foi duro nas críticas ao presidente do FC Porto, não só pelo comportamento de Pinto da Costa no local da agressão a um repórter de televisão, mas sobretudo pela entrevista do dirigente ao Porto Canal. Num comentário a essas palavras do dirigente portista, que alegou que não viu a agressão, o antigo dirigente do Sporting considerou que Pinto da Costa preferiu “um exercício de hipocrisia” à realidade. 

Pior do que as imagens é a entrevista de Pinto da Costa. É um exercício de narrativa para fins judiciais, um exercício de hipocrisia que eu não via desde os tempos daquele árbitro que o foi visitar para pedir conselhos matrimoniais e é um exercício de ilusionismo que não tem nada que ver com a realidade”, disparou Barbosa da Cruz, num programa de debate da CMTV.  

Rebatendo a argumentação do presidente do FC Porto, Carlos Barbosa da Cruz referiu que Pinto da Costa não poderia dirigir-se a um repórter, até porque não estava num local que fosse propriedade do clube da Invicta 

Não discuto se a zona era ou não reservada, mas quem tinha de questionar a presença de repórteres de imagem naquele local eram os dirigentes do Moreirense, não era o senhor Pinto da Costa”, afirma. 

Por outro lado, argumenta o advogado, o presidente do FC Porto “terá de explicar porque é que se dirige a um operador de imagem pedindo-lhe satisfações” e porque é que o faz “acompanhado de um guarda-costas".  

“É uma coisa que me faz impressão. Se Pinto da Costa queria saber o que é que o repórter de imagem estava a fazer – o que já é em si mesmo um constrangimento –, não vai acompanhado daquele ‘guarda-fatos’, que não tem outro propósito que não seja o de constranger o desgraçado do repórter que lá está”, assinala.  

Mas o ex-dirigente leonino vai mais longe. E condena a entrevista do líder portista, não acreditando na boa-fé de Pinto da Costa quando este diz que condena qualquer forma de violência: “Pinto da Costa vestiu o fato de anjinho. Só lhe faltaram as asas e a auréola”. 

Fico perplexo que Pinto da Costa condene ameaças e ele próprio assista, impávido e sereno, a um ato que não é mais do que um ato de violência. E ignorando-o”, acusa. 

Carlos Barbosa da Cruz ressalva que “agressão não é só bater”. E defende que “o que foi feito por Pedro Pinho ao jornalista da TVI é um atentado contra os direitos elementares de um cidadão, nomeadamente ao seu direito ao trabalho”. “É uma agressão, válida como se ele tivesse dado dois sopapos”, acrescenta. 

O advogado, que defende as cores do Sporting no programa, vai mais longe e sustenta que o empresário a quem é imputada a agressão estava “a servir os interesses do FC Porto”. 

“Não dissocio (não consigo, com toda a franqueza, por mais explicações que me deem), a atitude de confronto de Pinto da Costa com o operador de câmara da Sport TV com a consequente tentativa de retirada e de obstrução que Pinho faz ao repórter da TVI”, acusa.  

Par Barbosa da Cruz, com a entrevista que concedeu ao Porto Canal, Pinto da Costa mostrou que “aparentemente acha normal que alguém tente retirar uma câmara”, porque “não viu, não esboçou um gesto para proteger a vítima desse atentado, dessa violência, desses direitos”. 

Já o empresário Pedro Pinho dá ideia é que foi na continuidade, foi talvez um bocadinho mais zeloso do que o presidente do clube de que é sócio, mas as duas posições não podem ser dissociadas 

Portanto, conclui, “quando Pinto da Costa vem para a televisão fazer de anjinho e dizer que não viu nenhuma violência e que só quis cumprimentar o cameraman da Sport TV, com toda a franqueza, isto é uma narrativa que só tem um defeito: descola da realidadeÉ uma narrativa para fins judiciais”, termina.