Portugal
"Pinto da Costa prefere ser fiel a Fernando Madureira até ao fim"
2024-04-07 13:00:00
"Apelida de inimigos os adversários e prefere ser fiel até ao fim à claque", critica Nuno Encarnação.

No universo do futebol português, o FC Porto é uma referência incontornável, não apenas pelos seus feitos desportivos, mas também pela sua estrutura política e administrativa.

À medida que a temporada avança e os jogos decisivos se aproximam, a agitação nos corredores do Estádio do Dragão é tão intensa quanto a adrenalina que se faz sentir dentro das quatro linhas.

À beira do final do campeonato e com a possibilidade de carimbar a ida ao Jamor, onde já está o Sporting, o FC Porto enfrenta não só desafios desportivos, mas também políticos.

As eleições para a presidência do clube azul e branco, agendadas para o final de abril, tornaram-se assim o epicentro de uma tempestade de acusações e debates entre os candidatos e os membros que fazem parte das suas listas.

"Pinto da Costa tornou-se um homem implacável com os seus"

Dois nomes emergem como protagonistas centrais deste cenário: André Villas-Boas, antigo treinador dos Dragões, e Pinto da Costa, líder máximo do clube há mais de quatro décadas.

A visão de Villas-Boas, expressa como "verdades que têm de ser ditas aos sócios" por alguns, é vista por outros como uma estratégia controversa que visa minar a estabilidade e reputação do clube da Invicta.

Estas tensões políticas não têm passado despercebidas a figuras influentes no universo azul e branco como Nuno Encarnação, gestor e conhecido sócio dos Dragões.

Na coluna de opinião que assina no jornal 'Record', Encarnação, que outrora emergia como apoiante de Pinto da Costa, expressou críticas à atual gestão do líder portista, afirmando que Pinto da Costa tornou-se 'um homem implacável com os seus'.

"Tornou-se um homem implacável com os seus. Os tais que ousam afrontar o seu poder (como é o caso de André Villas-Boas) e que colocam em causa o seu longo reinado, que o julga ter por direito eterno, numa visão absolutista do poder", começou por escrever o conhecido associado do FC Porto.

Para além das eleições, momento de extrema importância na história do FC Porto, também a detenção de Fernando Madureira, líder dos Super Dragões, juntamente com outros elementos ligados aos azuis e brancos, no âmbito da Operação Pretoriano, tem feito agitar as águas no Dragão.

O tema também mereceu um comentário de Nuno Encarnação, que destacou o fato de Pinto da Costa ser fiel a Madureira e à principal claque portista, em detrimento dos restantes sócios do FC Porto.

"Apelida de inimigos os adversários, divide os sócios e prefere ser fiel até ao fim à claque e a Fernando Madureira, acreditando em toda a sua inocência, não deixando palavras suficientes aos sócios agredidos", criticou o gestor e asusmido apoiante de Villas-Boas.

Outro tema que tem vindo a dividir as opiniões dos adeptos portistas centra-se no roubo das tarjas das claques afetas aos dragões, do Museu do FC Porto, um dia após a goleada imposta pelos azuis e brancos ao eterno rival Benfica.

Recentemente, Pinto da Costa aproveitou uma das suas ações de campanha para relativizar a situação, comparando-a a um furto que aconteceu no conceituado museu de Louvre.

Quanto a esta situação, que evidenciou a falta de segurança no Dragão, local que irá receber as próximas eleições do clube, Encarnação recorda o discurso do atual líder portista, que apontou as culpas para o seu principal opositor, André Villas-Boas.

"Sugere que o roubo das tarjas e a forma como mudou o tom dos apitos dos árbitros, nas recentes arbitragens, são culpa do seu adversário Villas-Boas", rematou Nuno Encarnação.