Portugal
"Pinto da Costa já nos habitou a comentar o que não é a realidade", diz Caneira
Redação
2021-04-29 19:20:00
Ex-jogador repudia “esta questão de insensibilidade do presidente do FC Porto”

Os incidentes registados após o Moreirense-FC Porto, com um repórter de imagem da TVI a queixar-se de ser agredido por Pedro Pinho, continuam a dominar as conversas. O caso mantém-se na ordem do dia na sequência da entrevista de Pinto da Costa, ao Porto Canal, na qual o presidente dos dragões afirma que não viu “Pedro Pinho a agredir seja quem for”.

“Eu não vi nenhuma agressão, nem vi ainda nenhuma imagem em que se veja Pedro Pinho a agredir seja quem for. O que eu vi foi Pedro Pinho a tapar a câmera para não filmar. Não digo que houve ou não. Eu não vi ainda nenhuma imagem em que se veja a agredir aquele senhor, que fique já esclarecido, apenas a tentar tirar a câmera e a tapar”, afirmou Pinto da Costa, garantindo que “o FC Porto e eu rejeitamos, censuramos e não podemos aceitar qualquer ato de violência”.

Na opinião de Marco Caneira, o esclarecimento de Pinto da Costa foi escasso e, pior, confuso. Isto porque o dirigente acrescentou que se tinha retirado do local onde ocorreram os incidentes. “Perguntei se havia algum problema, disseram-me que não e vim-me embora. Apercebi-me depois de uma confusão e verifiquei que era o senhor Pedro Pinho”, foram as palavras do líder azul e branco.

Segundo Caneira, Pinto da Costa esteve a comentar “o que não é a realidade”, pois as imagens do momento mostram-no no local onde ocorreram os incidentes. “Pinto da Costa não esclareceu a situação. Com todo o respeito por aquilo que tem feito, Pinto da Costa já nos tem habituado a este tipo de entrevistas, a aparecer depois de atos como este ou parecidos a comentar aquilo que se consegue confirmar que não é a realidade”, afirmou o ex-jogador.

Com esta postura, o presidente do FC Porto acaba por penalizar a imagem do clube, por não ser firme na condenação da alegada agressão de Pedro Pinho ao repórter de imagem da TVI, permitindo que fique no ar a ideia de uma associação do empresário aos dragões, acrescentou o antigo defesa.

“Não podemos ter outra palavra se não também repudiar esta questão de insensibilidade do presidente do FC Porto. Com o seu historial, com o seu passado, com o seu trajeto, já lhe ficava bem assumir rapidamente toda esta situação, até pelo bem da instituição FC Porto”, insistiu o agora comentador da SIC Notícias.

Sobre o empresário, Caneira considerou que a suspensão preventiva de funções, aplicada pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, não é suficiente, realçando que tem que ser dado “o exemplo” para que estas situações não voltem a ocorrer.

“O FC Porto devia ter-se demarcado destas situações. A indústria do futebol tem que ser um exemplo social. Não podemos ter esta conduta. A Liga e a Federação deviam mais claramente colocar um ponto final nestas situações. O elemento está suspenso, mas isso não é suficiente, porque o exemplo tem que ser dado. Não somos só nós [comentadores] a ver as imagens. Portugal consegue perceber a gravidade dos acontecimentos”, finalizou Marco Caneira.