Médio sérvio não foi opção para Jorge Jesus em 2016/17, mas o panorama pode mudar na época que está prestes a começar
Radosav Petrovic chegou a Alvalade em 2016 para reforçar o meio-campo defensivo do Sporting, mas o ano de estreia no clube leonino não correu como esperado. Foi muito pouco utilizado por Jorge Jesus e acabou cedido ao Rio Ave no mercado de inverno. Apesar dos bons indicadores dados em Vila do Conde, Petrovic tarda em dar seguimento àquilo que mostrou no Partizan, entre 2008 e 2011. “A razão que eu encontro para ele não ter mostrado todo o seu potencial é a má escolha de clubes”, revelou ao Bancada Milos Zivotic, jornalista sérvio do portal sportskenovosti.net.
O internacional pela seleção da Sérvia foi um dos principais destaques do Sporting no primeiro jogo da pré-temporada com portas abertas ao público. Num nível acima do que estava há um ano, Petrović parece contar de forma mais forte para Jorge Jesus. E porque é que não contou há um ano? O motivo, de acordo com Zivotic, prende-se pela concorrência feroz a que esteve sujeito por um português campeão da Europa.
“A principal razão chama-se William Carvalho. Ele é alguns anos mais novo, o Sporting pode vendê-lo por muito dinheiro e não está a jogar mal neste momento”, disse o jornalista, que prosseguiu ao dizer que, no Rio Ave, Petrovic “era uma grande ajuda para os defesas. Muitos cortes, interceções e ainda iniciou muitos ataques com passes curtos. Acho que ele pode tornar-se num jogador com utilização regular no Sporting”.
Nesse sentido, uma eventual saída de William Carvalho do Sporting seria benéfica para Petrovic. Sem o português, o ex-Dínamo Kiev terá mais hipóteses de mostrar o seu valor e criar estatuto no clube leonino. Mesmo com João Palhinha enquanto colega de posição, o compatriota de Petrovic é da opinião que a sucessão natural ao camisola 14 está no jogador contratado em 2016/17, ainda que o nível tenha de ser alto para o comprovar.
“O William Carvalho também é um grande jogador, por isso [se saísse] iria abrir uma verdadeira chance para o Petrovic jogar regularmente e para se tornar um membro valioso da equipa. A sua experiência torna-o uma escolha melhor que o João Palhinha, mas ele tem que jogar o seu melhor jogo para ficar na equipa. É a mesma coisa em qualquer grande clube: tu jogas bem ou então sentas-te no banco”, considerou Milos Zivotic ao Bancada.
Na meia-temporada que passou no Rio Ave, o médio de 1,93 metros foi uma opção regular para Luís Castro, podendo os adeptos ver muito mais do que nos seis meses no Sporting. Contudo, e apesar de ter estado “perto do seu melhor” nível no Rio Ave, Petrovic ainda tem futebol para dar e vender.
“Ele é um lutador em campo e joga pelo coletivo. Os adeptos gostam disso e os treinadores gostam desse tipo de jogadores. Ele estava a jogar perto do seu melhor no Rio Ave, mas acho que ele pode mostrar muito mais, especialmente na vertente ofensiva. Ele tem um grande remate, muito potente. A posição natural dele é médio-defensivo, mas ele pode jogar mais à frente. Talvez seja essa a solução para o treinador do Sporting”, disse Zivotic, que não tem dúvidas: Petrovic tem o que é necessário para ser importante no clube verde e branco.
“Tenho a certeza que ele pode ser uma referência na equipa do Sporting. Ele agora tem mais experiência e o Sporting é uma equipa similar à do Partizan, dominante na Liga Portuguesa. É um bom ambiente para ele e para as suas qualidades”, frisou o jornalista sérvio.
Da bancada para o relvado e um conjunto de “más escolhas”
Milos Zivotic acompanha a carreira de Petrovic desde muito cedo, quando o jogador ainda estava nas divisões inferiores do futebol sérvio. Ao Bancada, Zivotic explicou de que forma Petrovic chegou ao Partizan, o clube do qual é adepto ferrenho. O grande rival do Partizan, Estrela Vermelha, também estava interessado na sua contratação, mas o coração acabou por falar mais alto.
“Ele jogava no FK Radnicki Obrenovac e era utilizado regularmente na seleção sub-19 da Sérvia. Um dos olheiros do Partizan descobriu-o, mas o Estrela Vermelha [Sérvia], o Hajduk Split [Croácia] e o SC Heerenveen [Holanda] também o queriam. Ele acabou no Partizan porque ele é um grande adepto [do clube]. Acho que ele era membro do grupo de adeptos do Partizan em Ub, a sua cidade natal. Eles fizeram uma festa quando ele assinou pelo Partizan”, contou. O momento foi registado em vídeo (ver abaixo).
No Partizan, Petrovic brilhou e tornou-se uma das peças principais da equipa. Rapidamente chamou a atenção de clubes de outros países europeus e a sua saída da Sérvia consumou-se em 2011. Com apenas 22 anos, Petrovic rumou ao Blackburn Rovers, que na altura jogava no principal escalão inglês. “Acho que ele escolheu uma má liga para jogar no estrangeiro. Quando ele assinou pelo Blackburn Rovers eles jogavam na Liga Inglesa, e isso foi uma grande diferença. A Liga Sérvia não está nesse nível. Ainda assim, ele jogou quase 20 vezes na Liga Inglesa”.
Seguiu-se o Gençlerbirligi, da Turquia, e o Dínamo Kiev, da Ucrânia. No segundo clube, o último antes de representar o Sporting, o médio de 28 anos estava tapado por uma figura bem conhecida do futebol português: Miguel Veloso. Agora no Génova, o jogador formado em Alcochete remeteu Petrovic para opção de recurso em Kiev, onde realizou apenas 12 jogos.
“Na Turquia ele jogou muito bem, era um jogador de seleção nessa altura, mas o Gençlerbirligi não era um grande clube, estavam com dificuldades na Liga Turca. O Dínamo Kiev foi uma má escolha porque eles tinham Miguel Veloso na sua posição. Por isso, o Petrovic era uma segunda opção. A razão que eu encontro para ele não ter mostrado todo o seu potencial é a má escolha de clubes”, explicou.
Com um potencial tremendo, Petrovic era uma jovem promessa com tudo para dar certo e para se tornar um jogador de topo na sua posição. O problema, para Milos Zivotic, foi mesmo as opções tomadas na carreira. O jornalista deu até dois exemplos de dois jogadores que não saíram diretamente da Sérvia para uma liga de topo e que, mais tarde, se tornaram referências em ‘tubarões’ europeus.
“Talvez teria sido melhor para a sua carreira se ele tivesse seguido os passos do Branislav Ivanovic e do Nemanja Vidic. Eles jogaram na Rússia e depois foram para a Liga Inglesa. O Petrovic saltou um ou dois níveis na carreira. Ele devia ter jogado futebol regularmente numa liga forte e depois mudar-se para Inglaterra. Há uma grande diferença entre a Liga Sérvia e muitas outras na Europa. Os nossos jovens jogadores não estão preparados para irem diretamente para as ligas do top-5. O melhor para eles é irem para ligas como a da Rússia, Holanda ou Bélgica onde podem ganhar experiência e evoluir fisicamente, e só depois passar para as ligas de topo”, concluiu Zivotic.