Portugal
"Paulo Gonçalves não foi condenado. Foi ver um jogo à Luz. É notícia?"
2021-03-19 12:35:00
"Quem incendeia o futebol português é o diretor de Comunicação do FC Porto", diz Capristano

Paulo Gonçalves, antigo assessor jurídico da SAD do Benfica e que é arguido no caso E-Toupeira, marcou presença nas bancadas da Luz no recenete jogo entre Benfica e Boavista, acabando por gerar alguma polémica dado que o ex-funcionário foi afastado do clube mas continua próximo do emblema da Luz, frequentando as instalações como no passado sábado.

José Manuel Capristano, antigo vice-presidente do Benfica, não vê qualquer problema em Paulo Gonçalves estar presente no Estádio da Luz num local reservado, isto numa altura em que as bancadas está fechadas e apenas elementos convidados ou da estrutura é que assistem a jogos em face das medidas de contenção da pandemia.

"Não sei se em Portugal já há prisão perpétua, morte anunciada. Quer dizer, o senhor Paulo Gonçalves não foi condenado, é arguido. Trabalhou no Boavista, no Benfica e havia um Benfica-Boavista. Isto é notícia? Olhem, também trabalhou no FC Porto", justificou José Manuel Capristano.

O ex-dirigente encarnado insistiu que não percebe onde é que está o 'problema' de Paulo Gonçalves assistir a um jogo na tribuna da Luz. "Não condeno ninguém. Tenho outra forma de ver a vida", comentou, mostrando-se indignado que só olhem para as questões relacionadas com o Benfica, depois desta situação que não passou despercebida a Francisco J. Marques.

"Acham muito mal o Paulo Gonçalves ir ao Estádio da Luz mas acham normal que o presidente da SAD de um clube da I Liga empreste verbas a outro. Não é promiscuidade?", interrogou Capristano, falando também sobre o caso dos emails que, nesta semana, viu o processo de instrução ser adiado.

"Quem incendeia o futebol português é o diretor de Comunicação do FC Porto. As pessoas têm que ter memória e lembrarem-se do Apito Dourado. Nestas matérias o FC Porto não recebe lições de ninguém, muito menos do FC Porto e, para já, por aqui me fico. Queria falar antes do Portimonense-FC Porto", disse Capristano, na CMTV.

Em relação ao processo dos emails, José Manuel Capristano questionou ainda: "Em quê que o Benfica foi condenado? Respondam-me. Mas eu já sei que o FC Porto foi condenado, foi condenado esse diretor".

E Capristano insistiu na mesma linha de discurso, em defesa do clube encarnado e da sua administração. "Digam-me, estão tantos crimes nos tais emails e o Benfica não foi condenado. Porquê? É essa a pergunta que eu faço às pessoas. Atacam o inatacável. Desculpem, o Benfica foi condenado? O FC Porto e o diretor de Comunicação do FC Porto já foram", disse o ex-dirigente encarnado, destacando que não leu os referidos emails que foram tornados públicos.

A instrução do processo do caso dos emails, em que são arguidos o diretor de comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, o antigo diretor do Porto Canal Júlio Magalhães e um comentador, foi adiada ‘sine die’ (sem data).

O início da instrução, fase facultativa que visa decidir por um Juiz de Instrução Criminal (JIC) se o processo segue e em que moldes para julgamento, estava previsto para quarta-feira no Tribunal de Instrução Criminal (TIC) de Matosinhos, e foi requerida pelos arguidos, depois de o Ministério Público (MP) os acusar de violação de correspondência e de acesso indevido, por divulgarem conteúdos de e-mails do Benfica, no Porto Canal.

A defesa dos encarnados entende que os emails foram divulgados na cidade do Porto, mas que os crimes foram cometidos em Lisboa, razão pela qual defendem que esta fase se deve realizar no Tribunal de Instrução Criminal (TIC), de Lisboa.