Portugal
"Se optarmos pelo silêncio tornamo-nos cúmplices", diz Constantino sobre Vieira
2021-07-15 13:45:00
"Parte sã do desporto tem de se indignar", acrescenta o presidente do Comité Olímpico, sobre 'Cartão Vermelho'

José Manuel Constantino, presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), reage ao processo que envolve Luís Filipe Vieira. Em declarações à Renascença, o dirigente mostra-se firme na defesa do desporto, considerando que a operação ‘Cartão Vermelho’ não diz respeito, apenas, a Luís Filipe Vieira ou às suas alegadas práticas ilegais no Benfica. 

“Independentemente da avaliação que venha a ser feita, sobre se as práticas são ou não ilícitos criminais, os efeitos colaterais deste problema atingem todo o desporto, põem em causa todo o desporto”, começa por dizer.   

Nesse sentido, prossegue o responsável pelo COP, “é preciso salvaguardar a integridade do desporto”. “E essa salvaguarda exige a adoção de critérios de maior transparência, do ponto de vista da gestão de recursos, que permitam um maior escrutínio, quer da parte da comunicação social, quer da parte dos associados, quer da parte da opinião pública em geral”. 

José Manuel Constantino pede “atitudes exemplares, por parte dos dirigentes desportivos, que restituam um clima de confiança e de idoneidade”. E que por outro lado “evite, muitas vezes, avaliações do tipo de que ‘são todos iguais’ de que, por natureza, o desporto é um lugar mal frequentado”. 

O dirigente defende que o processo que teve origem na investigação ‘Cartão Vermelho’ “atinge todo o edifício do desporto”. E por isso, como presidente do COP, recusa remeter-se ao silêncio, perante indícios tão fortes.

“Se nós optamos por uma atitude não de denúncia, não de exigência, mas de silêncio, tornamo-nos cúmplices de uma situação que não diz apenas respeito ao presidente do clube em causa, ou ao clube, ou à modalidade, mas toca todo o desporto, atinge todo o desporto”, sustenta.  

“E ao atingir todo o desporto, a parte sã do desporto tem de se indignar, revoltar-se e exigir a adoção de práticas que permitam restituir ao desporto a confiança e respeitabilidade social”, conclui, numa declaração forte àquela rádio, no programa Bola Branca, nesta quinta-feira.