Portugal
"O mesmo estádio para Benfica e Sporting não vingou. Nem podia", diz Madaíl
Redação
2021-04-03 18:50:00
"Manuel José foi o selecionador mais caro que eu tive", admite o ex-presidente da FPF

Gilberto Madaíl saiu da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) mas admite que continua atento à realidade do organismo federativo que liderou entre 1996 e 2011, altura em que foi substituído por Fernando Gomes, a quem deixa rasgados elogios pela forma como tem gerido a Federação e por estar a potenciar o futebol nacional que durante a sua presidência teve alguns casos mais ou menos polémicos e alguns que 'passaram despercebidos' como revela agora Madaíl, nomeadamente a contratação de Manuel José, aquele que diz ter sido o selecionador "mais caro" que teve.

O ex-presidente da Federação Portuguesa de Futebol, atualmente com 76 anos, revela que tinha tudo apalavrado com Manuel José mas surgiu a oportunidade de contratar Scolari com a ajuda de uma entidade bancária. Na altura, Gilberto Madaíl explica que montou-se a operação para a contratação de 'Felipão', à data campeão do Mundo com o Brasil no Mundial da Coreia e do Japão, mas a FPF não deixou de cumprir aquilo que estava previsto em relação a Manuel José.

"Tivemos de lhe montar uma operação envolvendo a Nike e o já extinto BPN [Banco Português de Negócios]. Montámos uma operação tripartida. Cada um entrava com uma parte. Foi assim que conseguimos", contou Gilberto Madaíl, referindo que não deu continuidade ao que estava tratado com Manuel José mas, sustenta, a FPF acabou por cumprir os valores previstos com Manuel José que acabou por receber o estipulado. "Não foi possível dar continuidade ao que estava pré-acordado com o treinador português que podia vir a ser selecionador. Mas isso não nos impediu de cumprir o que tínhamos de cumprir. E a verdade é que pagámos o valor do contrato na altura".

Gilberto Madaíl explica que Manuel José, às vezes, "fala como se não lhe tivésse sido pago e parece esquecer que lhe foi pago 50 mil contos (250 mil euros)". "Pagámos em prestações, mas pagámos. Foi o selecionador mais caro que eu tive, sem dúvida nenhuma, porque nunca exerceu".

Em entrevista ao jornal A Bola, Gilberto Madaíl revelou ainda que quando deixou a FPF em 2011 a sua equipa diretiva deixou "a sede da Rua Alexandre Herculano toda paga" e outros valores à Federação. "Deixámos ainda a propriedade da sede da Praça da Alegria e cerca de 20 milhões de euros em contas bancárias", afirmou, dizendo que a Federação "ficou com uma almofada financeira forte e boa".

Do longo período em que comandou a FPF, Gilberto Madaíl esteve à frente da missão no Euro2004, quando o Campeonato da Europa se realizou em Portugal, lembrando que o Estádio da Luz e do Dragão estiveram para não avançarem mas uma aproximação às autarquias permitiu que os dois anfiteatros fossem uma realidade que, no caso lisboeta, chegou a ser equacionado um estádio conjunto para Benfica e Sporting mas era algo que Madaíl considera que não vingaria na cultura desportiva nacional.

"Em Portugal, isso seria muito difícil, ter o mesmo estádio para Benfica e Sporting ou o mesmo estádio para o FC Porto e Boavista. Em Portugal isso não se podia pôr. Foi uma ideia que João Soares tinha na altura, mas que não vingou. Nem podia"