Napoleão, Mariza ou Pedro Abrunhosa entre as inspirações do treinador do SC Braga.
Abel Ferreira é um poço de sabedoria popular e há até quem diga que o técnico tem um livrinho de citações preparadas em casa. Verdade ou não, o certo é que o jovem treinador tem recorrido, frequentemente, a frases perpetuadas por figuras da história mundial, da música e do futebol, claro. Nunca em tom jocoso, mas sempre com uma postura séria e de quem se predispõe a ensinar.
“Rui Vitória é um grande senhor e pensador”, elogiou Abel, em fevereiro. E não espanta que Abel goste de pensadores. Ele próprio tem-se mostrado um pensador e um motivador.
Revolução francesa irrompe pelo Minho e a música portuguesa não tem segredos
Comecemos com Napoleão Bonaparte. O herói da revolução francesa não passou ao lado das tiradas de Abel. “Como dizia napoleão Bonaparte, uma parte do segredo, é esconder esse mesmo segredo (…), mas, como também dizia Napoleão, é preciso ter coragem para desafiar as forças do adversário”. Nada como um grande líder militar para espicaçar os atletas. Não é, caro Abel?
Abel mostrou ser conhecedor da história política mundial, mas não só. O técnico gosta de cantarolar. Ou, pelo menos, de ouvir outros cantarolar. Mariza, fadista portuguesa, cantou algo que inspirou Abel Ferreira. Em “Melhor de mim”, diz-se que “às vezes, é preciso perder para depois se ganhar e, mesmo sem ver, acreditar”. Foi o que disse Abel, em novembro, antes do segundo jogo (a desforra) frente ao Ludogorets, para a Liga Europa.
Para Abel, Pedro Abrunhosa também é inspiração. Não o referiu taxativamente, mas usou uma frase do cantor, que dá nome a uma canção. “Queremos fazer o que ainda não foi feito”, disse, em janeiro, a propósito da possibilidade de reformular objetivos – mais ambiciosos – para a temporada do SC Braga.
Não é parca a inspiração que Abel vai buscar ao futebol. Já lhe mostrámos que o treinador elogia os pensamentos de Rui Vitória, mas António Oliveira – como jogador, apenas Oliveira – também não escapa à admiração de Abel.
Oliveira, como jogador do Sporting, disse, antes de um dérbi frente ao Benfica, que “por cada leão que cair, outro se levantará”. Profundo. Inspirador. Tanto que esta frase foi perpetuada por adeptos leoninos até hoje e colocada numa parede do Estádio de Alvalade.
Abel deu-lhe um ligeiro twist, adaptando-a ao universo bracarense. “Por cada guerreiro que cair, outro se levantará”, disse, em janeiro, a propósito da lesão de Ricardo Ferreira.
Porquê citar, se ele pode pensar?
Não, não se trata de roubar direitos de autor. Abel Ferreira, para além das citações apanhadas de outros pensadores, também sabe trazer reflexões próprias e, algumas, com tanto de pertinentes como de agressivas.
Uma delas surgiu em janeiro, quando respondeu à apatia da qual o SC Braga foi acusado no jogo frente ao Benfica. Irritado, o técnico dos minhotos disparou forte. “Para os ignorantes, para os recalcados, fica a oração dos sábios (…) entre ser um bom treinador e um bom homem, prefiro ser um bom homem. Não sou ator nem palhaço”.
Não é ator, não é palhaço, mas é cão de caça. Ninguém pense que estamos a ofender Abel com esta referência canina. Foi o próprio que se definiu desta forma, após a vitória frente ao Marselha, na Liga Europa. “Com esta vitória, lamento dizer isto, mas vão ter aqui um cão de caça: a exigência tem de ser esta, esta intensidade com ou sem bola em todos os jogos. A nossa imagem tem de ser esta em todos os jogos. Vou ser um cão de caça para os meus jogadores”.
“Lutar até à última gota de sangue”. Não se sabe bem de onde vem esta frase – diz-se que tem origem no sofrimento final de Jesus Cristo –, mas o futebol gosta muito desta ideia. Já vimos vários treinadores usarem esta frase, mas Abel, não sendo o primeiro a fazê-lo, deu-lhe, mais uma vez, um pequeno twist. “Vamos lutar até à última gota de suor”, disparou, em setembro, antes de defrontar o Vitória de Setúbal.