Portugal
O jogo antecipado, as equipas que não podiam ser sorteadas e o decote maroto
2018-07-07 22:40:00
Há de tudo um pouco: jogos antecipados, equipas que não poderiam ser sorteadas e um decote maroto

Uma trapalhada pegada, é o que de mais simpático se pode dizer sobre o sorteio do calendário dos campeonatos profissionais do futebol português para 2018/19. Mas que fique bem claro: não foi a primeira, nem será última vez que um evento destes corre mal. Por exemplo, o sorteio para o Mundial de 1982 foi interrompido porque as seleções que estavam a sair não respeitavam as condicionantes. Mas há mais. Um duelo entre Benfica e FC Penafiel para a Taça de Portugal, em 2014, antecipado pela hospedeira encarregue de tirar as bolas, justificado mais tarde com um "erro de ótica".

Há que fazer um ponto prévio. Não é nossa intenção encontrar traços de incompetência na base do sucedido na noite de sexta-feira. Até porque errar faz parte da condição humana e todos nós estamos sujeitos ao erro e, muito francamente, esperamos ver a mesma pessoa a fazer o sorteio do próximo ano assim ela o entenda. Mas que gerou um berbicacho lá isso gerou, e diga-se, foi resolvido da única maneira possível pelos responsáveis da Liga.

Mas a história está repleta de casos insólitos e bizarros quando falamos de sorteios. Recorde-se do "erro de ótica" da menina que antecipou um confronto entre o Benfica e o Penafiel para os quartos de final da Taça de Portugal na temporada 2013/14. A hospedeira encarregue de retirar os papéis de dentro das bolas disse 'Penafiel' quando na realidade era o Benfica. O engano foi justificado com um "erro de ótica". O twist curioso aconteu logo após ao erro, é que na bola imediatamente a seguir estava mesmo o Penafiel.

O sorteio do Mundial mais bizarro de sempre

Isto é foi por cá, mas lá fora também metem o pé na argola... e de que maneira. Um dos casos mais marcantes aconteceu com a toda poderosa FIFA que no alto da sua soberania acabou mesmo por reconhecer a asneira que foi o sorteio para o Mundial espanhol, de 1982.

Com apenas seis seleções das confederações Sul e Centro Americanas deveria ser relativamente fácil conseguir distribuí-las pelos seis diferentes grupos. Mas cedo se percebeu que nada iria ser fácil naquela noite. As seleções sorteadas começaram a sair para os grupos errados e o mal-estar instalou-se. Não havia outra solução senão começar tudo de novo. Nada que preocupasse as crianças que haviam sido escolhidas para transportar as bolas que iam saindo das tômbolas automáticas… que também elas se vieram a revelar um grande barrete.

Não fosse suficiente o sofrimento que aquele primeiro engano capital estava a provocar a todos os intervenientes daquele "freak show", a que teimavam em chamar sorteio, aconteceu também que as tômbolas avariaram e as bolas começaram a abrir-se, dentro das gaiolas giratórias. O tão precioso conteúdo, os nomes das seleções, saltava de onde não poderia sair e a vergonha era cada vez mais visível na cara do jovem Sepp Blatter. Uma trapalhada pegada.

Esperar até à última para saber quantas equipas vão participar

A verdade é que a FIFA tem mais casos para contar e um deles aconteceu no Mundial de 1930 quando as seleções participantes ganhavam esse estatuto... por convite. Ora, em 1930, o (primeiro) Campeonato do Mundo foi organizado no Uruguai e naquela altura as questões de logística não facilitavam a deslocação de equipas europeias o que tornou tudo mais difícil. O sorteio só foi realizado na noite do início da competição porque só apareceram 13 seleções para o disputar. Eram esperadas 16.

O decote maroto

A FIFA voltaria a ser alvo de muitas críticas aquando do sorteio para o Mundial do Brasil, em 2014. A modelo a atriz brasileira Fernanda Lima foi uma das apresentadoras e o seu vestido não passou despercebido. No Irão, por exemplo, o apresentador que acompanhava a cerimónia chegou mesmo a dizer quer "o vestido da senhora não estava em conformidade com os requisitos" do canal que o transmitia.

A escolha da modelo para apresentar o sorteio não foi consensual e a jogadora de futebol feminino Casey Stoney, capitã da seleção inglesa, disse que a escolha recaída em Fernanda Lima passava uma mensagem errada pedido por uma mulher com ligações ao futebol.