Portugal
"Desporto não pode ficar fora do plano de revitalização económica", diz Proença
Redação
2020-12-18 12:50:00
Pedro Proença pede "atenção máxima ao poder político" para que o futuro do futebol não seja posto em causa

A Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) pede a integração do desporto no plano de revitalização económica europeu, depois de um inquérito ter revelado perdas que podem ultrapassar os 300 milhões de euros, devido à pandemia de covid-19.

De acordo com os resultados do inquérito da LPFP às sociedades desportivas das duas ligas profissionais, "as receitas, que se cifravam nos 858,3ME, poderão oscilar entre os 581,4ME (caso não se mantenham as verbas dos direitos televisivos e comerciais) e os 496ME, implicando perdas significativas, entre 276ME a 362ME no setor".

"Por isso, dizemos que o desporto não pode ficar fora do plano de revitalização económica, que vai abranger vários países europeus. Falamos de vários impactos, mas o 'cash flow' de tesouraria dos clubes é um tema a ter em causa, já que, caso as sociedades desportivas não venham a receber uma injeção de dinheiro de forma célere, podem ter graves impactos de tesouraria, o que leva, por exemplo, ao aumento de dividas financeiras e deterioração dos seus balanços", referiu Pedro Proença.

Para o presidente da LPFP, "no caso concreto do futebol, este défice poderá comprometer a formação, que é o mesmo que dizer que o futuro do futebol profissional português pode estar em causa".

"Pedimos atenção máxima ao poder político para o facto da continuidade na criação de talento, que tem sido uma das nossas bandeiras, poder ser hipotecada, dada a ausência de apoios ao desporto, que tem também uma forte importância social", disse o líder da LPFP.

Proença considera que o inquérito "revela dados que são pouco confortáveis e nada animadores para o futebol profissional", revelando que será partilhado com a secretaria de Estado da Juventude e Desporto, com o ministério da Economia, com a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e com a Confederação Empresarial de Portugal (CIP).

Comparando com a temporada 2018/19, do lado das receitas verificou-se que o impacto foi de uma perda de 100% na bilhética, de 80% em quotas associativas e de 70% em receitas de merchandising, refere o estudo.

A Liga de clubes revela ainda preocupação com um possível ajuste económico da UEFA à participação dos clubes nas competições europeias, assim como com a possibilidade de os detentores de direitos televisivos tentarem resgatar valores se as provas forem interrompidas.

Do lado dos gastos, as sociedades desportivas aumentaram os custos com testes à covid-19, desinfeções das instalações, material de proteção e custos com teletrabalho, entre outros, apenas reduzindo em cerca de 8% nos gastos.

Do inquérito destaca-se ainda o esforço para manter postos de trabalho, uma vez que houve apenas uma redução de 10% nos custos com pessoal.

"Os gastos das nossas sociedades desportivas no combate à covid-19 são, claramente, superiores à redução dos gastos associados à ausência de público. Em tudo o que diz respeito à organização de jogo, na maioria dos casos, este fator não tem compensado, porque o acréscimo tem sido grande, não só com os gastos adicionais relacionados com estágios, como com a realização de testes e materiais de proteção individual", refere Proença.

Lembrando uma indústria que tem um impacto de 0,3% no PIB, Pedro Proença espera que, "com o aparecimento das primeiras vacinas e a possibilidade de ver estabilizada a médio prazo a situação médica do país", se possa pensar no regresso do público aos estádios.

"Quando lançámos este desafio às autoridades de saúde, em sintonia com a FPF, houve algum ceticismo, mas a verdade é que o futebol e os seus adeptos responderam da melhor forma nos testes-piloto que foram efetuados", disse.

Proença considera que "quem vive nesta indústria tem a sensibilidade suficiente para, além da avaliação económica, perceber que a ausência de adeptos nas bancadas começa a colocar em causa o futuro do futebol".

"Acreditamos que, exemplos como os de Inglaterra, onde os adeptos estão a regressar aos poucos, podem ser seguidos em Portugal já em janeiro. Não só pela mensagem de esperança que damos, também ao país, mas aos nossos clubes que terão, agora, um caminho a percorrer até voltarem à fidelização daqueles que são um dos suportes anímicos das equipas", referiu.