Portugal
"Nuno não teve sucesso no FC Porto porque foi o célebre tempo dos padres"
2021-07-30 23:00:00
Pinto da Costa culpa "arbitragem" pelo facto de Nuno Espírito Santo não ter ganho o campeonato de 2016/17

Pinto da Costa, presidente do FC Porto, recuperou o caso dos emails para afirmar que Nuno Espírito Santo só não levou os dragões ao título na temporada 2016/17 por causa dos "padres". "Dada essa situação não teve sucesso", reforçou o líder azul e branco, no episódio de hoje da série 'Ironias do Destino'.

Ao falar das memórias do ano de 2016, quando o FC Porto teve três treinadores (Julen Lopetegui, José Peseiro e Nuno Espírito Santo) que acabariam por deixar o Dragão sem conquistarem qualquer campeonato, Pinto da Costa sustentou que, no caso de Nuno Espírito Santo, só não teve sucesso por causa da "arbitragem".

"O Lopetegui, ao fim de vários anos, não tinha conseguido qualquer vitória e havia muita contestação. Não havia uma empatia e então resolvemos interromper a sua permanência como treinador. A nossa opção foi o José Peseiro, mas não teve sucesso. Terminámos o acordo e veio então o Nuno Espírito Santo, que se viria a revelar um bom treinador", enquadrou.

"Identificava-se com o clube, mas também não teve sucesso, muito fruto do tempo que naquela altura havia em relação à arbitragem. Foi o célebre tempo dos padres, ficou assim conhecido pelos emails em que eles se tratavam entre eles como padres. Dada essa situação, Nuno Espírito Santo não teve sucesso e no final do contrato resolveu partir para Inglaterra", continuou Pinto da Costa.

Em 39 anos de presidência do FC Porto, o dirigente já rescindiu com alguns treinadores. "Não foram assim muitos", garantiu, acrescentando que também rescisões "por motivos bons", como aconteceu com Artur Jorge, José Mourinho e André Villas-Boas.

"Rescindimos porque, dado o sucesso que tiveram no FC Porto, apareceram clubes estrangeiros que pagaram a rescisão e eles partiram. Foram rescisões agradáveis", explicou.

Houve, ainda assim, uma rescisão que marcou Pinto da Costa: a de Víctor Fernández, um "excelente treinador" que acabaria por não se enquadrar "bem no espírito do FC Porto". Ainda assim, o técnico espanhol "tem o nome gravado a letras de ouro na história" dos dragões, pois conquistou a segunda Taça Intercontinental para o clube.

De acordo com o presidente portista, Fernández acabaria por sair após colocar a jogar atletas que estavam sob a alçada disciplinar: "Houve motivos disciplinares com alguma gravidade com alguns jogadores antes de uma partida com o SC Braga e ficou entre nós combinado que esses jogadores seriam suspensos. Para minha surpresa, eles foram convocados, jogaram, não estavam em condições e perdemos. O Fernandéz achou que tinha cometido um erro, pôs o lugar à disposição, eu aceitei e ele foi-se embora".

Apesar dessa rescisão, Victor Fernandéz e Pinto da Costa mantiveram "uma boa relação de amizade". "Quando fiz 25 anos de presidente fizeram uma festa e ele veio propositadamente de Espanha para o jantar. A passagem pelo FC Porto diz-lhe muito, porque ele está na nossa história como vencedor de uma das duas Taças Intercontinentais. Rescisão não é rotura, ficámos amigos e essa é uma prova de que a situação tinha ficado insustentável pela parte dele", concluiu Pinto da Costa.