O treinador do Nacional conta a atitude de um árbitro no Mundial 2006.
Depois de ter recordado o percurso no Sporting e histórias no FC Porto, Costinha fala, neste domingo, de um jogo da seleção “que parecia encomendado”. Na segunda parte da entrevista ao “Expresso”, o treinador do Nacional conta a atitude do árbitro no Alemanha-Portugal, no Mundial 2006, em que os germânicos, a jogar em casa, garantiram o terceiro lugar na competição. Tratava-se do juiz japonês Toru Kamikawa.
“O árbitro, ao intervalo, diz ao Scolari que tinha de me tirar do jogo. E o Scolari ‘Mas tenho que tirar porquê?’. ‘É melhor tirar do jogo, é melhor tirar do jogo’. Parecia que estava ali encomendado para a Alemanha, a equipa da casa, não ficar de fora do pódio”, começa por contar, acrescentando: “O Scolari tirou-me porque se calhar estava com medo que me expulsasse e depois ficávamos a jogar com 10”.
Costinha já estava amarelado, nesse jogo, e conta ainda outro episódio, para justificar que, mesmo amarelado, poderia ter terminado o jogo frente à Alemanha. “Estava amarelado, mas já joguei tantos jogos amarelado. Eu e mais sete colegas, antes de irmos à final da Liga dos Campeões, em 2004, na Corunha, jogámos todos amarelados. E não deixei de jogar, não deixei de correr, não deixei de pôr o pé. E nessa altura o Collina não disse ao José Mourinho ‘é melhor tirar o senhor Costinha’. Ele tratava-me por senhor Costinha, o senhor Collina. Lembro-me de um lance em que discuti, não era falta, e ele disse-me ‘senhor Costinha, quer jogar final ou não quer jogar final?’ Ele sabia o que é que estava a fazer, fez o trabalho de casa”.