Portugal
"No melhor pano cai a nódoa. Foi um ato irrefletido do Sérgio no calor da noite"
Redação
2021-04-05 09:45:00
"Ele ferve e a prova disso é que se arrependeu e reconheceu que não esteve bem. Que sirva de exemplo"

O episódio protagonizado por Sérgio Conceição e Paulo Sérgio em Portimão deu que falar nas últimas semanas e o treinador do FC Porto lamentou a linguagem que chegou a ser usada por alguns comentadores a seu respeito, chegando a tocar em questões familiares que deixaram o técnico desagradado. "Comecei a semana a ouvir que era arruaceiro. Passou por javardo, gentalha, ordinário, delinquente e chegaram ao final da segunda semana a falar dos meus pais, só para verem onde isto chegou. E [os que comentavam isso] não estão sob a pressão e emoção de um jogo, que também não justificou o meu comportamento", criticou Sérgio Conceição, antes do jogo do FC Porto frente ao Santa Clara.

Para António Oliveira, ex-treinador do FC Porto, é necessário usar estes exemplos para que se faça uma reflexão e tentar que situações semalhantes não voltem a acontecer. "Quando se dá motivo, quando se dá pretexto a um caso que dá um certo jeito às pessoas que estão à volta do fenómeno do futebol, naturalmente, isso preencheu páginas de jornais, talvez até deu algum jeito ou serviu aquilo que são os papéis que a imprensa tem que é relatar os factos, com exceço ou não. É preciso que os responsáveis do futebol parem para pensar. É pegar nestes exemplos pela negativa e fazer uma reflexão", indicou Oliveira, certo de que "não há direito que se ofenda a honra das pessoas". Esse "é um excesso que não devia ser permitido e espero que nunca mais aconteça".

Em declarações na RTP 3, António Oliveira disse ainda que compreende os lamentos de Sérgio Conceição e realça que o seu ex-jogador e agora treinador dos dragões 'ferveu' e protagonizou a confusão juntamente com Paulo Sérgio. Mas para Oliveira, a questão está ultrapassada, até porque os treinadores já lamentaram o sucedido. "É uma linguagem que se vai cada vez mais radicalizando no futebol e nas pessoas do futebol, às vezes, um bocado por culpa própria. Fez um ato de contrição e isso só revela nobreza e a boa pessoa que é e a pessoa humana que é. Costuma dizer-se que no melhor pano cai a nódoa. Este tipo de linguagem, de agressividade e ofensa já começou por presidentes, começou por cima. Espero que não chegue aos jogadores".

Oliveira referiu ainda que "é preciso que as pessoas parem para pensar e percebam que representam instituições a quem devem muito respeito". "Eu compreendo e aceito as desculpas do Sérgio porque o conheço muito bem e sei que foi um ato irrefletido no calor da noite, ele ferve e a prova disso é que se arrependeu e reconheceu que não esteve bem. Que sirva de exemplo. É bonito o Sérgio reconhecer isso".

Na conversa na RTP 3, António Oliveira comentou ainda a situação de Vlachodimos no Benfica, uma vez que o guarda-redes, ao serviço da seleção, falou do Benfica e lamentou ter perdido a titularidade na equipa de Jorge Jesus, palavras que desagradaram ao técnico encarnado. Trata-se de uma situação que António Oliveira entende que não deveria ter acontecido, até porque os jogadores quando servem as seleções não deveriam falar publicamento daquilo que se passa nos clubes. Daí que entenda o desagrado de Jesus.

"Há muitos anos, no meu primeiro ano do FC Porto, quando formei plantel e fiz a proposta de trabalho e lhes disse aquilo que tinham de fazer e acima de tudo o que não deviam, eu colocava a questão se eles pensavam alguma vez perguntar-me o porquê de irem jogar quando eu fizesse o onze. Se não me perguntam quando eu os coloco a jogar porque perguntam quando eu não os coloco a jogar? Fiz logo de princípio, no início. O que está protocolado? Está no clube não fala das seleções. Está na seleção e não fala do clube. Acabou. Não faz declarações públicas."