Portugal
No "jogo do 'Guarda Abel'" nas Antas o "negócio foi feio, mas feio mesmo"
2020-04-16 12:45:00
Valdo recorda jogo no qual a equipa do Benfica se vestiu nos corredores e venceu os dragões por 2-0

Valdo é um dos 'românticos' da bola no pé com samba no corpo que passaram pelo futebol português. O 'mágico' brasileiro conversou com o 'Benfica de Quarentena' do 'Benfica Independente', no 'Youtube' e recordou momentos de águia ao peito, entre os quais um célebre jogo no Estádio das Antas com um dos momentos icónicos do futebol nacional que hoje em dia, apesar de já terem passados tantos anos, continua a 'alimentar' conversas entre adeptos e protagonistas dessa altura.

"Quando lá chegamos foi aquela confusão do joga, não joga, entra, troca aqui, não troca. Aquilo foi muito complicado. A minha sorte é que tinha 'brutamontes' e podia dar uma 'xingada' em alguém", recorda Valdo, falando do jogo dos anos 90 no qual os atletas encarnados se equiparam nos corredores das Antas.

Valdo, tal como Ricardo Gomes recentemente o fez, recorda que "esse foi o jogo do 'Guarda Abel'" que "teve aquela confusão toda".

"Troca no balneário, o balneário estava com mau cheiro, aquela coisa toda. Houve um momento no corredor em que a coisa aqueceu, meus amigos. Na guerra não podes ficar sentado. Os fortes como o Ricardo Gomes, o Mats Magnusson na frente..."

Ao recordar esse episódio, Valdo explica que essa equipa do Benfica suportou a pressão das Antas e acabou por vencer o FC Porto por 2-0.

"Depois fomos para o jogo naquela coisa do toma um susto aqui, vai, não vai. Mas o futebol é como o boxe e se tomas uma pancada e vais para a corda, tomas outra e vais para a corda... Tens de dar um susto no adversário. Fomos 'tau, tau' e 1-0", lembra Valdo, explicando que em campo, como era dos jogadores que tinha a bola mais tempo no pé, acabava por 'sofrer' mais. 

Depois do 1-0, o Benfica rapidamente ampliou a vantagem, novamente por César Brito.

"O César Brito marcou e o gostoso é tu sentires que o adversário sente o golo. Isso é maravilhoso. Há alturas em que o adversário não acusa o toque. Os guerreiros das Antas sentiram o golo", diz, lembrando "a jogada" que adora.

"Carrego pelo lado esquerdo, vejo o Aloísio a tentar sair na minha direção, dou com três dedos na bola e ela passa por ele e vai ao pé do César Brito. Aquele 'palhaço' dá uma cavada e marca".

Até final do jogo, Valdo recorda-se que foi 'ameaçado'. "Quando foi o 2-0, meus amigos, já era pai", brinca, destacando que depois, no túnel, as coisas 'aqueceram'.

"O negócio foi feio. Mas feio, feio mesmo", revela, explicando que mal o jogo terminou "já tinha vários seguranças" do seu lado.

"No túnel, meu amigo, os caras 'vou-te matar', aquelas coisas de boca", detalha, dizendo que depois "foi fantástico o regresso a Lisboa."

Na conversa com o 'Benfica de Quarentena' do 'Benfica Independente', no 'Youtube', Valdo aproveitou para lembrar uma das grandes lições que o futebol lhe deu.

"No futebol a gente ganha dinheiro mas o que faz falta é ver a felicidade dos adeptos. Para mim, isso não tem preço. O que me deixa triste é que as pessoas que não dão valor aos adeptos".

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