Portugal
"Não vejo onde está o crime. Contra o Benfica é marchar", critica Capristano
2020-11-27 10:25:00
"Não há notícias falsas?", pergunta o antigo vice-presidente do Benfica, que coloca em causa uma notícia do Público

Antigo vice-presidente do Benfica, José Manuel Capristano questiona a veracidade de uma notícia do jornal Público que, nesta semana, lançou suspeitas sobre o clube da Luz num negócio de um jogador para o Vitória de Setúbal que, alegadamente, o Benfica terá ajudado a comprar para ficar com direito de preferência.

Contava no começo da semana o Público que o Benfica poderá ter cometido uma ilegalidade com o alegado financiamento de um jogador para o Vitória de Setúbal, situação que poderá acabar com uma punição às águias por parte da FIFA.

José Manuel Capristano diz que não toma a notícia como verdadeira mas também diz não ter dados suficientes para dizer que esta não corresponde à verdade.

Assim, o ex-dirigente encarnado prefere aguardar para ver como terminará este caso para depois comentar. "Não sei se pagou 900 mil euros. O que não sei também é se a pessoa que mandou esta boca é alguma pessoa formada em gestão desportiva ou direito desportivo", comentou Capristano, dizendo que é preciso conhecer o jornalista que assina o artigo.

"Será que o jornalista sabe o que está a fazer? Pode ser um anti-benfiquista primário. Não estou a dizer que sim", realçou o antigo dirigente do Benfica questionado que, atualmente, é preciso desconfiar do que se vai lendo.

"Não há notícias falsas? Contra o Benfica é marchar, marchar", disse José Manuel Capristano, em declarações na CMTV, assegurando que, se for verdade que o Benfica pagou quase um milhão de euros para ter direitos de preferência por um jogador, a administração encarnada deveria dar explicações.

"Se for verdade, não acho normal mas tem de ser explicado. Mas também digo que, efetivamente, o Benfica tem advogados e não acho que andem a dormir", referiu José Manuel Capristano.

Quando questionado se concorda que o Benfica possa comprar diretamente um jogador para outro clube para ficar com direito de preferência sobre esse mesmo jogador, Capristano diz que há coisas que fazem parte da estratégia de gestão desportiva.

"É uma política admissível comprar um jogador para, amanhã, o dar em troca para um clube onde eu quero outro jogador em que posso dar este e mais algum e não dou tanto dinheiro. Não vejo onde está o crime", referiu Capristano.

Se no plano da gestão desportiva os negócios de Luís Filipe Vieira têm sido questionados, no plano desportivo as coisas não têm corrido pelo melhor para a equipa de Jorge Jesus.

Frente ao Rangers, para a Liga Europa, o Benfica esteve a perder e nos últimos minutos salvou um empate no Ibrox Stadium, continuando numa onda de resultados menos positivos, até porque nos últimos embates só venceu em Paredes para a Taça de Portugal.

José Manuel Capristano queria uma vitória do Benfica mas lembra que a turma orientada por Jorge Jesus empatou "com o campeão da Escócia que está isoladíssimo".

"O Benfica empatou onde o FC Porto perdeu, onde o SC Braga já perdeu", disse Capristano, admitindo que é preciso "ver as coisas com olhos [de ver]".

Já sobre as várias ausências que o Benfica vai tendo, Capristano sublinhou que Jorge Jesus tem tido dificuldade para encontrar um onze base e entende que, nesta altura, "o Benfica não tem onze base".

De resto, em jeito irónico, José Manuel Capristano socorreu-se do passado e disse que "o onze base é o Eusébio, o Coluna, o Simões, o José Augusto".

À conversa em estúdio não faltaram ainda questões sobre a saída de Carlos Vinícius para o Tottenham, por empréstimo, depois de uma noite europeia inspirada do brasileiro.

José Manuel Capristano não critica a gestão feita pelo Benfica ao emprestar o avançado aos 'spurs' e lembra que as águias têm outras soluções para a frente de ataque, lembrando que é preciso acreditar no trabalho da estrutura.

"O Benfica tem lucro todos os anos", disse, lembrando os resultados financeiros dos últimos anos que a SAD do Benfica tem obtido com algumas vendas milionárias.