Portugal
"Não sou cartilheiro. Trago folhas, não trago telemóvel como os comandados"
Redação
2021-04-12 15:45:00
"Era o que faltava querer colocar uma mordaça no Jesus"

O campeonato está na fase decisiva e tudo conta para o desfecho das contas do título. Nos últimos tempos, muitos salientam que o jogo também se joga e decide na comunicação e nos debates televisivos mas Octávio Machado deixa bem claro que não faz parte dos "cartilheiros". E ainda que não diga quem são, recomenda que se olhem para os debates e se verifiquem que são os "comandados" que levam "telemóveis" para os estúdios das televisões.

"Eu não sou cartilheiro nem tenho ninguém a dar-me informações. Trago folhas de papel que escrevo. Eu não trago telemóvel. Basta ver os telemóveis a funcionar. Recebem informações e de fora e são comandados. E não é só um", indicou Octávio Machado, dizendo que declara aquilo que pensa e acredita, recusando a ideia de que é informado de fora para dentro para dizer certas coisas.

Em comentários na CMTV, Octávio Machado referiu que as pessoas têm de ter noção daquilo que dizem e, ao abordar as recentes declarações de Jorge Jesus, na zona de entrevistas rápidas de Paços de Ferreira, onde o treinador do Benfica disse que Eustáquio teve uma entrada com "intenção" para magoar Weigl, o ex-técnico de Sporting e FC Porto sustentou que não entra na onda dos que agora criticam Jorge Jesus mas na semana passada tiveram comentários semelhantes para com Gonçalo Franco, do Moreirense, após entrada sofre o sportinguista Nuno Mendes, no jogo de Moreira de Cónegos.

"O Jorge Jesus tem direito a dizer aquilo que quer como qualquer outro. Que autoridade moral têm aqueles que acusaram o jogador do Moreirense de ter entrado a 'matar' a 'esfolar' e agora acusam o Jesus e criticam o Jesus pelas declarações que fez? Não fazem sentido. A responsabilidade é dele. Era o que faltava querer colocar uma mordaça no Jesus ou em outro qualquer treinador", disse Octávio, avisando que Jesus e outros treinadores têm liberdade de expressão. "Não devemos crucificar uns e tirar o foco..."

Octávio Machado lembrou ainda que o jogador e Pepa, treinador do Paços de Ferreira, tiveram também declarações a justificar comportamentos durante a partida e percebe que também Jorge Jesus terá de ser compreendido como estes à luz da tensão e do 'calor' do momento, uma vez que as declarações foram prestadas logo após o apito final do árbitro.

"O Eustáquio reconheceu. A primeira reação foi não reconhecer. O Pepa durante o jogo assumiu que era uma injustiça. No fim, teve declarações completamente diferentes", recordou Octávio Machado, entendendo que Jorge Jesus disse o que disse por ser obrigado a falar, como os treinadores, logo após o apito final das partidas.

"Foi uma boa expulsão. Aliás, se eu fosse presidente ou treinador do Paços multava-o [Stephen Eustáquio]. Prejudicou a equipa e jogada que ele fez ao Julian [Weigl] não é de profissional. É nitidamente com a intenção de magoar o Julian. É bem expulso. Esta jogada já não acontece muito no futebol", afirmou Jesus, na entrevista rápida à SportTV, instantes depois de terminar a partida que o Benfica venceu por 5-0.