Portugal
"Não me surpreende, o Governo tem asfixiado os clubes", diz Pinto da Costa
Redação
2021-03-19 23:05:00
Presidente do FC Porto reage à alegada proibição da presença de público nos estádios até meados de maio

O presidente do FC Porto, Pinto da Costa, assegurou que não ficará surpreendido se o Governo, como tem sido avançado nos últimos dias, mantiver a proibição da presença de público nos estádios até meados de maio.

Caso essa medida venha a acontecer, estará “em linha” com outras medidas tomadas pelo executivo de António Costa e que, de acordo com o decano dirigente desportivo, visam apenas “asfixiar” financeiramente os clubes.

“Não me surpreende, porque isto tem estado na linha do comportamento do Governo em relação à vida dos clubes”, afirmou Pinto da Costa.

Em entrevista ao Expresso, o líder azul e branco reiterou algumas das críticas que tem feito nos últimos tempos, como o incumprimento do Estado ao nível da devolução do IVA. Numa entrevista ao Porto Canal, o presidente dos dragões adiantou que o clube espera há meses por um reembolso na ordem dos três milhões de euros.

“Os clubes estão a ser asfixiados com impostos, com exigências, com o tirar de receitas. E, no nosso caso, com o não pagar aquilo que nos devem do ano passado, que são milhões de devolução do IVA”, frisou Pinto da Costa.

De acordo com o Expresso, que cita uma fonte do Governo sem a identificar, eventos como os jogos da I Liga e o Grande Prémio de Portugal em Fórmula 1 (marcado para 2 de maio) “não terão público”. Isto depois do plano de desconfinamento referir que, a partir de 03 de maio, serão autorizados grandes eventos exteriores com diminuição de lotação. Segundo o jornal, os jogos só poderão ter público a partir do momento em que o desconfinamento for dado como concluído, cenário (para já) previsto para meados de maio.

Nessa entrevista ao Porto Canal, Pinto da Costa tinha acusado o Governo de não dar "respostas" ao futebol profissional, sem qualquer apoio para enfrentar a pandemia de covid-19.

"Falo do FC Porto. Sei o que se passa nos outros clubes, mas não tenho o direito de falar. O FC Porto perdeu 27 milhões de euros com o encerramento dos estádios. Deixou de vender bilhetes, deixou de vender o merchandising... Sabe qual foi a ajuda do Estado? O FC Porto paga todos os anos 42 milhões de euros de impostos. Mais sete milhões de Segurança Social. Sabe qual foi a ajuda? Como qualquer empresa, temos direito à devolução do IVA. Até 31 de dezembro tínhamos de receber 7,5 milhões de IVA do Estado. Não nos pagou", contou o dirigente.

Devido a esse incumprimento fiscal, os dragões foram forçados a recorrer à via judicial, continuou o dirigente: "Tivemos de fazer uma queixa em tribunal. Pagaram quatro e tivemos de fazer nova queixa. O tribunal notificou o Ministério das Finanças. Sabe quando recebemos? Nunca. Não nos pagam. E estamos a reclamar subsídios, nem empréstimos, apenas que nos devolvam aquilo que é nosso. É esta a ajuda que o Estado dá aos clubes".

Pinto da Costa acusou então o Governo de estar mais preocupado com a questão da centralização dos direitos televisivos do que em ajudar os clubes. "Não sei qual é o grande negócio, não sei para quem é, mas para o FC Porto não é um grande negócio. Deve ser um negócio da China. Não é para os clubes. Para quem é um dia saber-se-á. Isso é um grande negócio, mas é para 2028, porque os clubes têm contrato até 2028 e não podem anular. Então a grande prioridade é fechar um contrato que só vigorará em 2028 e, entretanto, deixar os clubes em dificuldades extremas e não ajudar absolutamente nada?", finalizou o presidente do FC Porto.