Portugal
"Não há soluções milagrosas", garante Pedro Proença
2021-01-08 11:50:00
Presidente da Liga lança desafio a António Costa nomeadamente sobre centralização de direitos televisivos

Pedro Proença admite que o futebol vai passar por dificuldades financeiras mas acredita que os clubes saberão como as enfrentar, não deixando, contudo, de fazer um apelo ao Governo para que não esqueça a modalidade.

"Vem aí a maior crise da história desta indústria", avisa Pedro Proença, garantindo que os clubes não vão estar de mão estendida para o Governo à espera dos milhões que devem chegar da União Europeia para ajudar as empresas a lidarem com o impacto financeiro provocado pela pandemia.

"Não queremos o dinheiro da ‘bazuca’, não precisamos de verbas a fundo perdido", tratou de esclarecer o presidente da Liga, Pedro Proença, destacando que o futebol tem sentido dificuldades à imagem de outras indústrias no contexto pandémico.

"Aquilo que se passou com o futebol, de uma forma particular, aconteceu de uma forma geral em todas as indústrias", realçou Pedro Proença, assegurando que "não há soluções milagrosas".

No entanto, o líder da Liga acredita que "há modelos económicos" e está certo de que "o futebol tem um modelo económico subjacente, e o modelo económico português é alicerçado nos planos de formação".

Assim, o ex-árbitro e agora presidente da Liga diz que é preciso apoiar os clubes e deixá-los potenciar os talentos que têm e/ou que conseguem produzir internamente.

"No fundo, desenvolvimento de talentos nos próprios clubes que, depois, ganham exposição e notoriedade, e mais tarde esses talentos — esses jogadores — são alienados aos mercados primários."

Pedro Proença apela ainda ao Governo que crie legislação capaz de "centralizar os direitos televisivos" e lembra que "já foi dito por este Governo que isto acontecerá naturalmente".

Além disso, o presidente da Liga apela a que se crie "um quadro fiscal" que permita aos clubes "reter o jovem jogador português" nas suas fileiras, evitando a saída precoce de alguns atletas para outros campeonatos.

"Temos outras questões como as questões dos seguros que incidem com uma carga de custos operacionais sobre os próprios clubes", destacou Pedro Proença, em declarações ao Expresso.

O presidente da Liga espera que o Governo de António Costa seja sensível ao apelo que faz para que o futebol português possa "competir com aquilo que é a realidade europeia".