Portugal
“Não desespero fácil, como devem compreender”, diz Manuel Machado
Redação
2021-04-03 11:55:00
Após goleada imposta pelo Portimonense, técnico reconhece que “há um problema para resolver”, no Nacional

O Nacional da Madeira foi goleado pelo Portimonense, manteve o ciclo de derrotas e vai permanecer no último lugar da tabela, quando estiver concluída a 25.ª jornada. Não terá sido este o cenário que Manuel Machado esperaria, depois da estreia, após a sucessão de Luís Freire. Mas o novo treinador dos insulares recua no tempo para encontrar algum conforto. 

Quando aqui cheguei, em 2012, para substituir o Caixinha, o primeiro jogo que fiz aqui em casa com o Beira-Mar teve um desfecho muito igual a este, 2-4. Não desespero fácil, como devem compreender. Há de facto um problema aqui para ser resolvido, caso contrário não se tinha dado esta alteração no comando técnico”, referiu Machado, na conferência de imprensa de análise ao jogo desta sexta-feira, que abriu a ronda 25. 

Manuel Machado mantém a confiança em níveis elevados e está longe de atirar a toalha ao chão. “Já passei por uma situação muito igual e o problema resolveu-se e este vai-se resolver também”, assumiu, sem medo do compromisso de manter a equipa madeirense no principal escalão. 

Sobre o jogo, o treinador explica que tentou “não alterar muito os processos” da equipa que herdou. “Quando há dez jornadas para fazer e oito meses de trabalho para trás, o que há é fazer ajustamentos e criar estrategicamente o que nos parecer adequado para cada um dos jogos”, justificou. 

 Mantivemos daquilo que era básico, a estrutura e a forma de jogar da equipa, tentando baixar um pouco o bloco, face às características dos avançados do Portimonense, para depois sair no contra. No entanto, é evidente que isso pressupõe mantermos o resultado a zero, para que o adversário se exponha e possamos aproveitar a profundidade nas costas da defesa contrária. Mas não aconteceu assim”, explica. 

Ao intervalo, o Portimonense já vencia por 2-0. E Manuel Machado considerou logo que a derrota seria inevitável, restando determinar os números finais, que cresceram para uns pesados 5-1. Sofremos um golo, que nos obrigou logo a abrir um pouco mais as linhas e sofremos um segundo, num erro de um passe interior e a partir daí o jogo estava praticamente definido, era uma questão de resultado. 

Na segunda parte, "sofremos mais um golo e está tudo ditoA partir daí podem ser três, quatro ou cinco golos. O jogo fica completamente partido e foi isso que aconteceu. A estratégia não funcionou, pela permeabilidade que tivemos, mesmo com um bloco baixo”, assumiu. 

Mais do que pontos, o Nacional precisa agora de recuperar a confiança. E Manuel Machado tem consciência desse facto. “Se os índices de motivação da equipa já não eram bons, com as seis derrotas que traziam, esta sétima acentua negativamente essa confiança. Para além do trabalho que temos de fazer, ao nível da análise e – eventualmente de alterações profundas na forma de jogar, pois alguma coisa tem de ser feita”, promete 

Fazer da mesma maneira à procura de um resultado diferente é insanidade. Vamos ter de, em pouco tempo, tentar alterar o modelo, no sentido de alterar os resultados finais dos jogos que temos pela frente, não há outro caminho”, afirma. 

Quebrar este ciclo negativo é um desafio enorme, mas estou confiante que o vamos fazer. É um momento muito complicado para todos no Nacional. Mas é com trabalho, confiança e forte, que vamos resolver esta questão, pois se baixarmos os braços, tudo tende a agudizar-se negativamente”, completa. 

O bloco de notas de Manuel Machado irá ditar regras, já no próximo jogo, difícil, no reduto do tranquilo Santa Clara. 

Estive atento ao comportamento dos jogadores e tomei notas e vamos tentar resolver, não só no plano técnico, como no anímico, pois uma equipa sem coesão, com fraturas pela comunhão de um objetivo fica mais difícil, embora o momento leve também a esse tipo de coisa. Mas este é um dos muitos fatores que teremos de abordar”, concluiu o técnico do Nacional.