Portugal
"Não acho que clássico tenha nada de decisivo", diz Tonel
2021-09-09 16:40:00
Tonel descarta implicações do 'clássico' no título

O resultado do ‘clássico’ entre Sporting e FC Porto, no sábado, da quinta jornada da I Liga, será “pouco significativo” na ótica dos “três clubes mais declarados” à luta pelo título de campeão nacional, admitiu o ex-futebolista Tonel.

“Ganhar é sempre melhor que perder, como é óbvio. Não vale três, mas seis pontos: três que se ganha e três que se tira a um rival. É sempre importante, mas, nesta altura, não acho que tenha nada de decisivo. Nem mesmo para o Benfica, que poderá ficar a quatro pontos dos dois rivais em caso de empate ou a cinco pontos de um deles. Ainda é muito cedo para isso”, vincou à agência Lusa o ex-central dos ‘leões’, formado nos ‘dragões’.

O campeão nacional Sporting, segundo classificado, recebe o FC Porto, terceiro, ambos com 10 pontos, a dois do líder isolado Benfica, no sábado, às 20:30, no Estádio José Alvalade, em Lisboa, em jogo arbitrado por Nuno Almeida, da associação do Algarve.

“Olha-se para as equipas e vemos igual número de pontos, golos marcados e sofridos. O FC Porto já teve um resultado não positivo na Madeira [empate 1-1 com o Marítimo, à terceira jornada] e o Sporting também em Famalicão [1-1, à quarta]. As equipas estão muito equilibradas. Em termos de favoritismo, dou ligeira vantagem ao Sporting, por jogar em casa, na perspetiva de que o estádio esteja lotado dentro do limite possível”, notou.

O ‘clássico’ surge a seguir à paragem para os jogos das seleções nacionais, que levaram 14 ‘dragões’, entre os quais Matheus Uribe e Luis Díaz, com chegada muito em ‘cima’ do jogo, e menos ‘leões’, até pelas lesões de Coates, Gonçalo Inácio e Pedro Gonçalves.

“Vai ser importante a forma como regressarem fisicamente. Não há muito tempo para preparar o jogo com quem chega. Agora, as equipas querem ganhar um jogo que dá confiança para os seguintes. Se a equipa que ganhar fizer um bom jogo, sai sempre reforçada no moral. Perspetivo que seja decidido em pormenores”, projetou.

Com formação concluída no FC Porto e cinco épocas a titular na defesa do Sporting (2005-2010), o ex-internacional luso descarta poupanças de Rúben Amorim e Sérgio Conceição face à estreia na Liga dos Campeões, na quarta-feira: os ‘leões’ recebem os holandeses do Ajax e os ‘dragões’ visitam os espanhóis do Atlético Madrid.

“Sinceramente, não vejo os treinadores a olharem para o jogo seguinte quando há um ‘clássico’. O jogo anterior ajuda ou prejudica sempre a preparação do jogo seguinte, o estado emocional do atleta e a confiança. Ambos apostarão nos melhores ‘onzes’ que estiverem disponíveis para tentar ganhar, sem pensar no que virá depois”, assumiu.

António Leonel Sousa, conhecido no futebol por Tonel, considera “mais provável” que o extremo espanhol Pablo Sarabia se estreie pelo Sporting como suplente utilizado no ‘clássico’, após ‘aterrar’ em Alvalade no fim do mercado de transferências, envolvido no empréstimo do lateral esquerdo Nuno Mendes aos franceses do Paris Saint-Germain.

“Vai ter pouquíssimo tempo para trabalhar com o grupo completo. Parece-me ainda cedo para ser utilizado, pelo menos de início. Quanto ao Nuno (Mendes), acho que tem um futuro muito bom pela frente. Se a compra se vier a verificar, acho que o Sporting fez uma boa venda. Perde um pouquinho na vertente desportiva, mas ganha na vertente financeira e bem sabemos que os clubes precisam de continuar a ter as contas equilibradas”, observou.

Nuno Mendes “fazia a ala esquerda como ninguém”, além de ter mostrado “capacidade física impressionante e qualidade na decisão em zonas ofensivas”, mas o ex-central acredita que já “foi bem substituído” por Rúben Vinagre, cedido pelo Wolverhampton.

“Apesar de ser importante, não estava no eixo central. Quando falo nisso, se saíssem Coates ou Palhinha, que têm mais influência no corpo da equipa, esta poderia abanar um pouco mais do que propriamente sem o Nuno Mendes. Mas, com todo o mérito, ninguém lhe tira essa marca de grande jogador, nem é por acaso que foi para o PSG”, ressalvou.

Quanto ao FC Porto, Tonel, de 41 anos, vê um conjunto “menos forte” face a 2020/21, devido à saída de Marega, “importante pela profundidade e combate que dava”, ainda que tenha mantido o extremo mexicano Corona e o médio Sérgio Oliveira.

“Essa dupla era muito influente no passado e acredito que possa vir a sê-lo esta época, mesmo não estando a render no aspeto desportivo. Depois, o lugar de lateral esquerdo ainda não está colmatado com rotina e o Wendell pode ser uma surpresa neste ‘clássico’. Na baliza, o Diogo Costa é o futuro do clube e, até quem sabe, da seleção, mas ainda é jovem e tem um lastro diferente de Marchesín, que está lesionado”, concluiu.