Leões alinharam sem a maioria das principais figuras num empate (1-1) em que acabaram a experimentar três defesas
O empate entre Sporting e Belenenses, no Estádio do Algarve, no primeiro jogo particular de alto perfil nesta pré-temporada do futebol português, mostrou um pouco do que se esperava: mais equipa por parte dos azuis, que apareceram com um onze muito próximo daquele com que vão atacar a Liga; alguns destaques individuais nos leões, que mesmo atuando de forma mais desgarrada estiveram mais perto de sair com a vitória. Petrovic, Piccini e Francisco Geraldes deixaram boas indicações num Sporting que Jorge Jesus chegou a dispor em campo com três defesas, uma das alterações em que o treinador anda a pensar há meses e em nome da qual chega a Alvalade o francês Mathieu.
Aquilo que se viu na relva durante boa parte do jogo – aquela parte em que este não estava a ser permanentemente interrompido por substituições caraterísticas destes desafios de pré-temporada – foi um Sporting mais fino e um Belenenses mais competitivo, um pouco à imagem do seu trio de médios: André Sousa, Yebda e o gabonês Tandjigora. Os leões tentavam ensaiar triangulações, jogar ao primeiro toque para libertar gente nas alas, mas sempre que tentavam explorar o espaço interior o jogo perdia-se naquele rolo compressor que Domingos Paciência colocara à frente da defesa. O 4x4x2 inicial do Sporting permitia destacar as subidas pela direita de Piccini, fisicamente muito disponível mas poucas vezes bem a cruzar, e as combinações que era capaz de fazer com Iuri Medeiros, este muito ativo mas pouco decisivo. Gelson Dala, irrequieto a jogar atrás de um Bas Dost irreconhecível – sem equipa para o alimentar… – era o único com capacidade para jogar dentro do bloco do Belenenses: procurava repetidas vezes aparecer entre linhas, mas faltava-lhe em definição o que lhe sobrava em velocidade de raciocínio e execução.
O destaque do Sporting, num meio-campo onde Battaglia arrancou modesto a fazer de Adrien e Matheus Oliveira mais discreto ainda no papel de Bryan Ruiz ou Bruno César, acabou por ser o duplo de William: Petrovic. O sérvio que o Sporting contratou na época passada, mas que face à escassa utilização acabou por fazer meia época no Rio Ave de Luís Castro, esteve ligado a dois momentos de grande qualidade: uma arrancada com bola a queimar linhas a gerar lance de perigo para a baliza belenense, minutos antes do golo azul, marcado por André Sousa, e uma interceção seguida de passe para Leonardo Ruiz fazer o empate na primeira vez que este tocou na bola, já na segunda parte. Pela primeira vez desde que é jogador do Sporting, Petrovic deixou a ideia de poder vir a ser útil, ainda que tudo acabe por depender do mercado: com William em Alvalade, o lugar será sempre dele, com ganhos evidentes para a equipa.
A segunda parte foi de muitas substituições, de parte a parte, mas deu para mais duas notas de destaque. Primeiro, a entrada de Francisco Geraldes, a jogar como médio-ala, o falso extremo que aparece como terceiro médio do 4x4x2 de Jesus: inteligente e fino a jogar, na definição de caminhos para o ataque, pode ser também um acrescento àquilo que a equipa já tinha. Depois, o teste dos três defesas: a partir de determinada altura, Jesus alinhou com Domingos Duarte, Paulo Oliveira e Tobias Figueiredo atrás. É verdade que já o tinha experimentado em Dortmund, no jogo da Champions, em Novembro, mas nessa altura fê-lo fundamentalmente por questões defensivas. Há alguns meses, porém, que Jesus vem matutando na montagem da equipa nestes pressupostos, para poder atacar melhor, pelo menos em determinadas fases dos jogos. Não foi o caso desta vez, porque nessa altura já se jogava ainda mais aos repelões.