Portugal
Muito Leite, algum pão de qualidade e um Super Maxi na ceia portista
2018-08-04 23:25:00
FC Porto vence o Desportivo das Aves por 3-1 e conquista a 21ª Supertaça da sua história

Muito Leite, algum pão de qualidade (a massa de que é feita os campeões, expressa na garra de Herrera e na arte de Brahimi) e um Super Maxi estiveram na origem da conquista de mais uma Supertaça, competição onde o FC Porto é dono e senhor, com 21 troféus contra oito do Sporting e sete do Benfica. O triunfo de 3-1 perante um valoroso e abnegado Desportivo das Aves é fruto necessariamente de um trabalho coletivo, mas teve muito de Diogo Leite, imperial a defender e oportuno a atacar, e sobretudo de Maxi Pereira, que fez jus à renovação de contrato com uma exibição superior. Foi ele que criou os maiores desequilíbrios, foi ele que encontrou espaços onde parecia não haver.

Com Diogo Leite, de 19 anos, na zona central da defesa ao lado de Felipe, Sérgio Conceição dispôs a equipa num 4x4x2 com Sérgio Oliveira como médio mais posicional, nas costas de Herrera. Otávio surgiu descaído sobre o lado direito e Brahimi no lado oposto, enquanto André Pereira jogou na zona central, no apoio mais direto a Aboubakar.

Já o Desportivo das Aves surgiu disposto num 4x2x3x1 (com Braga e Vítor Gomes na zona mais central do meio campo) facilmente desdobrável num 4x1x4x1 em situações de cariz defensivo, sempre a equipa entrava em perda de posse de bola. Em contraponto, Amilton, Nildo Petrolina e Derlei eram setas que colocavam em sentido a defesa portista.

Como era de esperar, o FC Porto entrou mais dominador no jogo e não perdeu tempo a ameaçar o último reduto avense. Não foram precisos mais do que cinco minutos para Aboubakar, após bela triangulação com André Pereira, rematar para uma magnífica estirada de Beunardeu. Mas acabou por ser o Desportivo das Aves a adiantar-se no marcador. Falcão aproveitou da melhor forma um ressalto de bola no... árbitro Luís Godinho para rematar forte e colocadíssimo com a bola a entrar junto ao poste direito da baliza defendida por Casillas.

Moralizada e personalizada, a equipa liderada por José Mota conseguiu de forma algo surpreendente amedrontar nesta fase o conjunto portista. Foi, no entanto, sol de pouca dura. A equipa de Sérgio Conceição recompôs-se e reassumiu as rédeas do jogo. Acabou por ser com naturalidade que aos 25 minutos Brahimi, após uma combinação de excelência com Aboubakar, igualou o desafio.

Oito minutos decorridos do golo portista, o Desportivo das Aves desfrutou de uma oportunidade soberana para marcar, mas Casillas deteve o remate de cabeça de Derlei. E depois foi Diogo Leite de forma superior a evitar que Vítor Gomes pudesse marcar com um corte soberano.

Sérgio Conceição viu-se forçado a substituir o lesionado Brahimi por Corona e foi já com o internacional mexicano em campo que, à beirinha do intervalo, Felipe desperdiçou uma bela oportunidade para colocar os dragões em vantagem após cabeceamento de Diogo Leite. Valeu a intervenção segura de Beunardeu.

Na segunda parte, o FC Porto surgiu mais acutilante, mas o Desportivo das Aves rapidamente reequilibrou as operações, disputando o jogo pelo jogo. E foi então que surgiu um desequilibrador de certa forma inesperado. Maxi Pereira encontrou espaço onde este parecia não existir e, pelo buraco da agulha, o mesmo é dizer, por baixo das pernas de Bernardeu, atirou a contar, colocando o FC Porto em vantagem. Estavam decorridos 67 minutos e pouco antes Sérgio Conceição havia sido expulso por palavras dirigidas ao árbitro na sequência de uma falta não marcada sobre Herrera, que acabou de cabeça ligada.

Em vantagem, o treinador dos dragões fez sair André Pereira e apostou na entrada de Óliver. A equipa passou, então, a jogar num 4x3x3. No Desportivo das Aves, José Mota jogava a sua cartada colocando Douglas em campo em detrimento de Braga. O vencedor da Taça de Portugal passou assim a jogar com dois homens na frente de ataque.

Foi, no entanto, o FC Porto que acabou por "matar" o jogo quando Corona, através de um portentoso remate de fora da grande área, fez o 3-1, a seis minutos do final. O triunfo dos azuis e brancos ajusta-se ao decorrer de um desafio em que o Desportivo das Aves deixou uma boa imagem, procurando, sempre que pôde, disputar o jogo olhos nos olhos com o adversário.