Portugal
Movimento 'Sem Adeptos Não Há Futebol' quer regresso aos estádios
2020-09-26 12:00:00
Paulo Lopo defende o exercício de uma pressão positiva sobre as autoridades

O presidente da Assembleia Geral do Leixões, Paulo Lopo, criou o ‘Movimento Sem Adeptos Não Há Futebol', subscrito por dezenas de personalidades do futebol, que pretende pressionar as autoridades competentes a autorizarem o regresso do público aos estádios.

"Senti que havia uma inércia de todos os clubes, incluindo os grandes, e em conversa com outros presidentes, meus amigos, verifiquei que pensavam o mesmo que eu e não se manifestavam. Muitos deles diziam-me ‘tu é que devias pegar nisto porque nós não estamos organizados' e decidi deitar mãos à obra", explicou Paulo Lopo, em declarações à Agência Lusa.

O objetivo do ex-presidente da direção do Leixões e principal acionista da SAD é aproveitar o desagrado da maior parte das instituições e exercer, com racionalidade, uma pressão positiva sobre as autoridades que têm o poder de decisão para mudar a atual situação.

Para Paulo Lopo, há o risco de comprometer irremediavelmente uma das atividades desportivas e económicas mais bem-sucedidas em Portugal e lembrou que em França, Alemanha, Suécia, Dinamarca, Ucrânia e Rússia, entre outros, os jogos de futebol já decorrem com uma percentagem de público nos estádios.

"Este é um manifesto pela positiva, não é contra ninguém, é apenas a favor do futebol. Vamos fazer crescer este movimento para que chegue junto de quem de direito, do Governo e das instituições que podem tomar decisões", acrescentou Paulo Lopo, que não entende como a Direção-Geral da Saúde tem olhado para este problema.

O dirigente do Leixões considera discriminatório o tratamento que é dado pela DGS ao futebol em relação a outros espetáculos e atividades, como as touradas, os cinemas, o teatro, os comícios políticos, os restaurantes, os hotéis, as praias e os centros comerciais.

"Queremos que o público volte aos estádios de acordo com todas as regras impostas pela DGS, porque a saúde está em primeiro lugar e as medidas de segurança que protegem os adeptos são uma prioridade", concluiu Paulo Lopo, que está convencido de que o número de apoiantes e subscritores deste movimento vai alargar-se significativamente nos próximos tempos.

Assinam o manifesto do movimento 67 personalidades do mundo do futebol, entre as quais Jorge Jesus, Sérgio Conceição, Pedro Proença, Paulo Futre, Nuno Gomes, Manuel Fernandes, Deco e Fernando Couto.