Portugal
Miocardites provocadas pela covid-19 preocupam médicos de Benfica e FC Porto
Redação
2021-01-22 22:35:00
Hélder Dores e Nélson Puga abordam casos em webinar promovido pela Liga

As miocardites provocadas pela covid-19 estiveram em destaque nas intervenções de Nélson Puga, diretor clínico do FC Porto, e Hélder Dores, cardiologista do Benfica, no webinar 'Thinking Football', promovido pela Liga, em Leiria, no âmbito da ‘final-four’ da Taça da Liga.

Hélder Dores centrou as explicações na análise do caso de Daniel dos Anjos, assegurando que o avançado da equipa B do Benfica poderá “regressar em força daqui a meses”.

“Está ótimo, como sempre esteve. A doença dele é ligeira. Teve aquela dor nos primeiros dias da infeção, só que a partir do momento que houve o diagnóstico da miocardite temos de fazer esta pausa. Ele está estável, temos acompanhado de perto. Não foi fácil dizer que ele tem de parar porque não tem grandes sintomas”, contou o cardiologista do Benfica.

Daniel dos Anjos sofreu “uma miocardite aguda por covid” que podia “ter passado despercebida” se não tivesse sido realizada “uma avaliação por excesso”.

“O atleta teve queixas de dores no peito e a suspeita surgiu por alteração no eletrocardiograma. Em 99 por cento dos casos, são uma doença ligeira na fase aguda, mas podem ser o gatilho para arritmias, o que pode ser fatal. Apesar de ser raro, não queremos casos fatais e devemos pecar nas avaliações por excesso”, salientou Hélder Dores.

O cardiologista salientou que ainda não são conhecidas as complicações “a muito longo prazo” das miocardites, que são “uma das causas da morte súbita em cinco por cento dos casos”, uma incidência “muito baixa”.

A opinião foi corroborada pela intervenção de Nélson Puga, médico do FC Porto, que apontou as miocardites como sendo “a primeira preocupação” no sentido de se excluir “o risco de morte súbita”.

“Os jogadores têm uma paragem forçada de 10 dias de atividade específica, sejam ou não assintomáticos. Há a perda de forma desportiva e o impacto que nos preocupa é o impacto na saúde. Reavaliamos quando regressam para termos a certeza que temos atletas aptos, capazes de praticar atividade física de forma segura”, complementou Nélson Puga.