Portugal
“Metam um micro. Metam um micro nos treinadores. Metam no árbitro também” 
Redação
2021-04-16 12:00:00
Carlos Manuel propõe solução transparente que evite discrepâncias entre relatórios e posições de treinadores

O caso que envolve Rúben Amorim, com discrepâncias entre o relatório do árbitro Rui Costa e a palavra do técnico do Sporting, continua a gerar posições públicas de defesa do técnico, com base em experiências. Depois de Diamantino ter afirmado que há inúmeros casos de relatórios dos árbitros adulterados, surge Carlos Manuel a emitir uma opinião semelhante, valendo-se da sua experiência e até de um caso que seguiu a via judicial. 

Fazendo a ressalva de que não comenta o caso em concreto – Carlos Manuel não põe em causa a idoneidade do árbitro Rui Costa –, o antigo internacional garante que já enfrentou casos de relatórios de árbitros com informações imprecisas, ou erradas, com palavras que nunca foram proferidas. 

Eu não sei o que o Rúben Amorim disse, como é óbvio. Nem sei o que escreveram [no relatório]. Mas uma coisa eu sei: também há árbitros que também não escrevem o correto. Isso existe. E isso eu posso afiançar mesmo, por experiência própria. Não digo que, neste caso concreto, isso tenha acontecido. Digo que, por experiência, eles às vezes, ou sempre, ou não, não sei, não escrevem o correto”, referiu Carlos Manuel, na Sport TV+. 

Carlos Manuel recorda um caso que acabou em tribunal, no Benfica: “Não foi comigo. Mas um árbitro foi a tribunal com o chefe de departamento de futebol do Benfica, na alturaprofessor Júlio Borges. E o árbitro perdeu. Até jogadores do SC Braga foram testemunhar o que tinha sido dito...”. 

Certo é que Rúben Amorim vai mesmo cumprir um castigo de 15 dias. E a sua defesa, que o treinador do Sporting garantiu que será feita com veemência, só produzirá resultados posteriores ao castigo. “O problema é que as coisas vão ser resolvidas daqui a dois anos e o Rúben vai cumprir castigo agora...”, lembra Carlos Manuel, ex-jogador do Benfica. 

Estas discrepâncias entre o tempo da justiça e o tempo do futebol geram conflitos. E a verdade é que, por vezes, são os clubes os beneficiados – no caso Palhinha, um recurso ao TAD teve efeitos suspensivos e o médio pôde alinhar diante do Benfica, depois de um quinto cartão amarelo. Carlos Manuel apresenta uma solução barata e transparente.  

Metam um micro. Metam um micro nos treinadores. Metam também no árbitro. Pode haver umas bocas, mas isso é palavreado sem maldade. É normal que saiam umas bocas. Não é com intenção de criticar, é assim, as coisas são assim”, refere o ex-futebolista.  

O técnico do Sporting já veio a público negar que, não sendo “um santo”, não proferiu uma das fases que lhe são imputadas. “Conseguiste o que querias” terá sido escrito no relatório, mas o treinador do Sporting garante que não o afirmou. Carlos Manuel lança perguntas e dá a resposta. 

“Mesmo que tivesse dito ‘conseguiste o que querias’, o que é que interfere no jogo, na classificação? Nada. Zero! O Sporting vai ganhar por causa disso? Vai ganhar? O que é que interfere?”, questiona, considerando que este tipo de atitude deve ser ignorado, desde que não se entre no campo da violência verbal. 

Carlos Manuel também é muito crítico relativamente ao caso que envolve João Palhinha, lamentando que o médio não tenha cumprido castigo e que o processo se arraste.  

Não percebo. Não percebo. Não tem cabimento nenhum. As coisas estão resolvidas. Isto é para brincar. Não está em causa o Palhinha, nem o Sporting. Mas com lacunas nas leis, andamos a brincar e continuaremos a brincar”, critica.