Portugal
Edgar Ié nas mãos de Bielsa pode ser bom prenúncio para a seleção portuguesa
2017-07-03 19:55:00
Chegada de Edgar Ié a Lille pode ajudar ao crescimento de uma opção para uma das posições mais carenciadas de Portugal

Depois de revolucionar o futebol sul americano, quer na Argentina, quer no Chile, e ao longo da carreira ter servido de ídolo e corrente futebolística para tantos treinadores, Marcelo Bielsa, prepara-se para ajudar a seleção portuguesa a curto prazo. Tudo porque o técnico argentino, atual treinador do Lille, se prepara para contar com os serviços de Edgar Ié. O defesa português, segundo a quase totalidade da imprensa nacional, será oficializado como reforço do clube francês nos próximos dias deixando o Belenenses por cerca de seis milhões de euros. 

Em apenas seis meses, Edgar Ié chegou ao Belenenses a custo zero e prepara-se para deixar o clube Azul com o cofre recheado. O internacional sub-21 português chegou ao Belenenses em Janeiro de 2017 oriundo do Villarreal - onde competiu na equipa secundária -, com a meia temporada no Restelo a permitir a Edgar Ié sair para França por valores milionários. Segundo o jornal Record, dos seis milhões avançados para a transferência de Ié para Lille, 75% ficarão no Restelo, enquanto os restantes 25% seguirão para o Villarreal que salvaguardou uma pequena fatia de uma futura venda do central/lateral português. Edgar Ié, recorde-se, esteve presente no campeonato da Europa Sub-21 de 2017 e efetuou os três jogos da seleção portuguesa na competição. 

A possível chegada de Edgar Ié a Lille aumentará o contingente português no clube francês, juntando-se o defesa a nomes como Éder e Xeka, bem como a Luís Campos, atual diretor desportivo do Lille. A transferência de Edgar Ié para o Lille é, contudo, mais do que qualquer outro motivo, particularmente importante por uma razão particular: o possível desenvolvimento de um jogador que atua numa das posições que a curto prazo mais preocupa o futebol português. A posição de defesa central. Foi nessa posição que Edgar Ié foi utilizado por Rui Jorge no recente Europeu Sub-21, mesmo que na sua passagem pelo Restelo, Edgar Ié tenha alternado entre a posição central e a lateral direita.  

No Lille, em teoria, Edgar Ié irá encontrar o mestre perfeito para o seu desenvolvimento enquanto atleta e defesa central: Marcelo Bielsa. Se as diretrizes do bielsismo pedem defesas centrais rápidos que joguem na antecipação e sejam agressivos, então, Edgar Ié parece encaixar que nem uma luva no estilo do carismático técnico argentino e naquilo que o mesmo exige da posição. A pressão altíssima e agressiva exercida pelas equipas de Bielsa e o contato físico de constantes marcações individuais não parecem ser um problema para Edgar Ié, já que as características do defesa português incidem precisamente na sua rapidez e capacidade física. Características especialmente necessárias para a cobertura do (imenso) espaço concedido pelas equipas de Bielsa nas costas da sua linha defensiva. Com Bielsa, Edgar Ié irá defender longe da sua baliza e a sua rapidez será fulcral na manobra defensiva do Lille. 

É, por ventura, no trabalho com bola e na construção de jogo a partir da defesa, exigido pelo sistema habitual de Bielsa, que mais Edgar Ié poderá beneficiar trabalhar com o técnico argentino. E, mais que isso, poderá beneficiar a seleção portuguesa. Afinal, a curto prazo, a posição de defesa central parece ser aquela que está mais carenciada de qualidade no futebol português. É que, se fisicamente, Edgar Ié tem características inatas, tecnicamente há espaço para evoluir. A necessidade do modelo de Bielsa ter defensores com qualidade técnica para construir jogo numa fase recuada do momento ofensivo explica o facto de treinadores Bielsistas, como Jorge Sampaoli, recuarem frequentemente alguns centro campistas até à posição de defesa central. Não esquecendo, claro, o pormenor de ser um modelo que exige que o erro na perda de bola seja nula de forma evitar que a transição defensiva seja apanhada em contrapé. E, isso, só é possível com defensores com uma qualidade técnica evoluída e eficazes no passe.  

Edgar Ié irá assim trabalhar com um técnico que poderá desenvolver os aspetos futebolísticos em que é menos forte, podendo vir a tornar-se um defesa central mais completo. Com isso, beneficia não só o jogador, como a própria seleção portuguesa que ganha mais uma opção credível para uma posição carenciada.