Casos de jogadores que não chegam a representar o Benfica não costumam gerar retorno financeiro como no caso de Marçal
O Olympique Lyon anunciou a contratação de Marçal ao Benfica, por 4,5 milhões de euros, o que é um excelente negócio para o clube da Luz, tendo em conta que o lateral não fazia parte dos planos de Rui Vitória e que foi contratado há dois anos a custo zero. No entanto, este caso representa uma exceção neste tipo de negócios em que o Benfica contrata um jogador que nunca chega a vestir a camisola do clube.
Marçal terminou contrato com o Nacional em 2015 e o Benfica aproveitou a oportunidade para o contratar a custo zero, cedendo-o, de seguida, por empréstimo ao Gaziantepspor, da Turquia, durante a temporada 2015/16, e, depois, ao En Avant de Guingamp, durante esta última época. Nesse período, o jogador brasileiro conseguiu valorizar-se ao ponto de convencer o Lyon a pagar 4,5 milhões de euros ao Benfica pelo seu passe.
Contratar jogadores a “custo zero” ou por um baixo valor e emprestá-los de imediato é algo que o Benfica já fez em várias ocasiões, como nos casos de Hugo Vieira, Candeias, Kevin Friesenbichler, Pelé, ou Diego Lopes. Tal estratégia poderá funcionar para impedir que os jogadores sejam contratados por clubes rivais (Hugo Vieira e Marçal eram falados para o Sporting quando assinaram pelo Benfica) e abre a possibilidade de lucrar no caso de o jogador se valorizar enquanto está emprestado.
No entanto, a valorização que Marçal conseguiu é uma exceção. Hugo Vieira foi vendido ao SC Braga depois de uma época em que esteve emprestado ao Sporting Gijón e ao Gil Vicente, e Candeias foi vendido ao Rangers já este mês, ao fim de três anos de empréstimos, mas o Benfica não lucrou muito com as operações. Friesenbichler (contratado em 2014), Pelé e Diego Lopes (contratados em 2015), continuam ligados ao clube, mas, neste momento, não é expectável que venham a gerar um encaixe financeiro significativo.
Há ainda casos mais complicados, que são os de jogadores cujo custo de contratação já é mais significativo. Luis Fariña foi contratado em 2013 por 2,55 milhões de euros, e tem sido emprestado sucessivamente durante as últimas quatro temporadas. Ainda que, nalguns casos, o Benfica tenha recebido uma compensação pelo empréstimo, será difícil lucrar com tal contratação. Mais recentemente, há também os casos de Jhon Murillo, contratado em 2015 por 750 mil euros, e que esteve emprestado ao CD Tondela durante as últimas duas temporadas; e o de Óscar Benítez, contratado em 2016 por 3,3 milhões de euros e que foi emprestado ao SC Braga na primeira metade da época e ao Boca Juniors na segunda.
Além dos casos já referidos, houve mais um jogador contratado nos últimos anos, que nunca chegou a representar a equipa principal do Benfica: Djavan. Esse, no entanto, parece ter-se tratado de um caso diferente. O lateral esquerdo terá sido um “erro de casting” que o Benfica conseguiu minorar vendendo-o dentro da mesma janela de mercado, ainda que com prejuízo. O clube da Luz contratou Djavan, que estava emprestado à Académica pelo Corinthians Alagoano, por 1,5 milhões de euros e vendeu-o depois ao SC Braga por um milhão.
Concluindo, o lucro que o negócio Marçal proporcionou ao Benfica é a exceção que confirma a regra. Normalmente, os jogadores contratados para serem sucessivamente emprestados, sem nunca jogarem no clube, não representam bons investimentos do ponto de vista financeiro.