Central do Boavista encaixa no perfil pretendido por Jesus para o reforço da zona central da defesa do Sporting
Lucas Tagliapietra surge hoje na imprensa desportiva como alvo do Sporting para a próxima temporada. Como o Bancada destacou ontem, o interesse em Jeremy Mathieu e, agora, em Lucas, demonstram que o Sporting está no mercado para contratar um defesa cental canhoto que se estabeleça como par do uruguaio Sebastián Coates. Segundo avança o Jornal Record de hoje, o negócio poderá fazer-se na ordem do milhão e meio de euros.
Portugal é só um dos destinos futebolísticos a que a carreira de Lucas Tagliapietra, brasileiro de ascendência italiana, e cuja nacionalidade também detém, levou. Saído de casa aos 15 anos para que pudesse seguir o seu sonho de se tornar futebolista, Lucas atingiu a maioridade ainda antes de a celebrar biologicamente. Não o fez mais cedo, aos 11 ou 12 anos, porque aí era cedo demais e o pai não aceitou. Natural de Alegrete, no sul do Brasil e junto à fronteira com Argentina e Uruguai, conta ao Scotland Herald em 2015, altura que defendia as cores do Hamilton Academical, que o Lanarkshire – região escocesa na qual estão estabelecidos os Accies – é na verdade mais agradável que o sul do Brasil onde, por vezes, suportava temperaturas a rondar os cinco graus negativos. Hamilton era o seu Verão, admitia.
Portugal e Escócia foram dois dos destinos da carreira futebolística de Lucas que conheceu países tão díspares quanto Hong Kong ou Moldávia. Aos 19 anos, aliás, saiu do conforto da terra natal e rumou ao oriente para representar o Hong Kong Pegasus durante a temporada 2011/12. Uma temporada em que o clube faz a dobradinha da deceção ficando em segundo lugar no campeonato e perdendo a FA Cup, em ambas as situações, para o Kitchee.
A experiência em Hong Kong definiu muito da personalidade de Lucas: um guerreiro, um batalhador, algo que já havia mostrado ao sair de casa tão jovem. Lucas nunca aprendera inglês (culpa própria, admite, nunca prestara a atenção devida nas aulas por achar que nunca precisaria saber inglês) mas a necessidade disso, ao encontrar-se sozinho num país tão peculiar quanto Hong Kong, a isso o obrigou. Sem aulas, por ele próprio. Um sinal da maturidade e sobriedade que desde cedo revelara e que hoje lhe são características. Aprendeu sozinho, com livros e blocos de notas que o acompanhariam na aventura em Hong Kong e na Moldávia. “Todas as palavras que ouvia, apontava-as”, confessa.
Na Moldávia representa o Dacia Chisinau e o Milsami entre 2012 e 2015, mas é quando chega à Escócia que finalmente se sente em casa. Pela primeira vez, aquela linguagem, aquele clima, aquela cultura, eram-lhe familiares e apenas estranha a quantidade de jogos que disputa em épocas festivas como o Natal ou o Ano Novo. Na Moldávia, com paragem de Inverno, ainda visitou família e amigos mas, ali, em Hamilton, dependendo da rota, demoraria três dias de muito pouco descanso só a chegar a Alegrete. Participa em 40 encontros pelos Accies em 2015/16 (faz quatro golos), antes de aterrar em Portugal para representar o Boavista.
Dificuldades de adaptação não são para Lucas. Toda a experiência de vida adquirida até hoje não o permitem e é sem surpresa que se estabelece desde logo como esteio da defensiva axadrezada que terminaria 2016/17 como uma das melhores na liga portuguesa. O Boavista seria nono classificado em 16/17 mas, a sua defesa, seria a quarta melhor da competição e alcançaria 14 encontros com a baliza inviolada, um número apenas superado por Benfica (20) e Porto (19).
Lucas, titular indiscutível na defesa do Boavista (4 golos em 34 jogos), parece encaixar no perfil traçado por Jorge Jesus. É alto (1,94 metros) e poderoso fisicamente (90 quilos) e, acima de tudo, é um central canhoto e que joga pelo lado esquerdo da defesa.