Portugal
"Seriam muitos a apostar errado se Lopetegui não tivesse grandes qualidades"
2021-07-28 22:55:00
Pinto da Costa recorda passagem do técnico espanhol pelo FC Porto. E elogia Julen Lopetegui

O presidente do FC Porto, Pinto da Costa, recordou a passagem de Julen Lopetegui pelos dragões, enaltecendo alguns bons exemplos da qualidade do técnico espanhol. Desde logo a aposta em Rúben Neves. O espanhol propôs-se "fazer do miúdo um jogador para a primeira equipa". O médio viria a fazer história nos dragões, aos 17 anos de idade, tornando-se no mais jovem a marcar pelos azuis e brancos no campeonato e no capitão mais novo de sempre em jogos da Liga dos Campeões.

"Ninguém dava valor ao Rúben Neves", começou por afirmar Pinto da Costa, ao recordar a "primeira conversa" com Lopetegui, depois do espanhol ter assumindo o comando técnico do FC Porto, no ano de 2014: "Ele queria um extremo rápido e veio o Tello, que ainda hoje joga na primeira divisão de Espanha. Depois disse-me que o FC Porto tinha um miúdo de 16 anos e que ia fazer dele um jogador para a primeira equipa".

Pinto da Costa lidera o clube há 39 anos, mas nem ele conhecia tal jogador. "Perguntei-lhe o nome e ele disse-me Rúben Neves. Respondi-lhe, sinceramente, que não o conhecia. Depois perguntei a várias pessoas e ninguém sabia quem era o Rúben Neves", continuou o dirigente, no episódio de hoje da série 'Ironias do Destino'.

"De onde é que o Lopetegui o conhecia? Foi treinador da seleção júnior de Espanha, que tinha sido campeã do mundo, e viu um miúdo de 16 anos em Portugal. Ele queria ver esse miúdo dos juniores e mal chegou aos treinos disse que o ia lançar sem medos na equipa principal", acrescentou.

Rúben Neves acabou por ser um dos destaques positivos numa época em que o FC Porto falhou as apostas em três treinadores: Paulo Fonseca, Luís Castro e Julen Lopetegui. Apesar de não terem triunfado ao serviço dos dragões, estes três técnicos vieram a "provar" que Pinto da Costa teve "razão" quando os convidou a assumirem a equipa.

"Depois do sucesso do André Villas-Boas e do seu adjunto [Vítor Pereira], era complicada a escolha do treinador. Optei pelo Paulo Fonseca porque acreditava muito nas suas qualidades, na sua potencialidade como treinador. Só que ele não caiu no goto do público e aconteceu os resultados não aparecerem logo. No final de um jogo, viu uns lenços brancos e ficou muito impressionado. Disse-me que ia embora, eu até lhe disse que punha lenços azuis, mas ele entrou em parafuso com os lenços brancos", contou.

Paulo Fonseca "não estava preparado para a pressão de um clube grande" e não aguentou "por mais força" que o presidente do FC Porto lhe tivesse dado: "Contra a minha vontade, ele foi-se embora e o futuro veio a provar que eu tinha razão, que ele é um grande treinador. Ficou muito impressionado com a contestação aos primeiros resultados menos bons que teve e começou a insistir que era melhor ir embora, que não queria q eu tivesse problemas". 

"Ele mesmo criou condições que não lhe permitiam continuar, porque os jogadores aperceberam-se da vontade dele, mas foi contra a minha vontade, porque eu tinha a certeza que ele ia triunfar. A prova é que foi para o Shakhtar e ganhou campeonatos, depois foi para a Roma e mostrou qualidade na Liga dos Campeões", reforçou o líder portista.

O caso de Lopetegui teve contornos semelhantes. "Depois da experiência mal sucedida em termos de resultados" com Paulo Fonseca, Pinto da Costa considerou necessário "dar um novo espírito" à equipa, incutindo "mais entusiasmo e disciplina". De Lopetegui, o presidente do FC Porto soube que "era um indivíduo disciplinador, mas também arrojado, capaz de fazer um bom trabalho".

"Fizemos uma boa equipa, vieram excelentes jogadores como o Óliver e o Casemiro, a equipa jogava bem, mas teve alguns percalços pelo caminho. Inicialmente o Lopetegui deu-nos muitas esperanças, depois com o passar do tempo e não aparecendo os resultados os próprios jogadores começaram a não confiar tanto e ele acabou também por interromper o seu trabalho", recordou.

Tal como aconteceu com Paulo Fonseca, Lopetegui viria a "provar" que Pinto da Costa "não estava enganado" quando à qualidade do treinador. "É só ver o percuso dele", apontou: "Depois de sair do FC Porto foi treinador da seleção de Espanha, do Real Madrid e é atualmente o treinador do Sevilha. Seriam muitos a apostar errado se ele não tivesse grandes qualidades. Aqui não resultou em termos de vitórias e os clubes vivem dos troféus, ele mesmo compreendeu que a situação não era boa e foi embora".

Já Luís Castro, que tinha assumido a equipa na sequência da saída de Paulo Fonseca, nunca deixou de ser visto "como o treinador da equipa B", com alguns jogadores da equipa principal do FC Porto a acreditarem que o técnico seria "uma solução precária".

"A saída de Paulo Fonseca criou um novo problema, porque na altura não havia treinadores disponíveis. Avançou o Luís Castro, que é um teinador competente, mas de outro estilo. Não era definitivo porque ele não tinha experiência de estar à frente de um grande clube. Hoje é diferente, já passou pelo Vitória de Guimaraes e já esteve com sucesso no estrangeiro, hoje estará preparadíssimo para pegar num grande clube. Naquela altura, foi visto pelos jogadores como treinador da B, o que é negativo. Em muitos clubes é isso que se faz, o treinador vai embora e sobe o da B, que fica a ser visto como uma solução precária", concluiu Pinto da Costa.