Portugal
"Litigância em tribunal pode resolver-se quanto toda a gente se sentar à mesa"
Redação
2020-12-04 18:05:00
Pedro Proença aborda "ajustamentos" negociais e defende centralização dos direitos televisivos

O presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), Pedro Proença, admitiu que a pandemia ditou a necessidade de “ajustamentos” em contratos de vários tipos e desvalorizou a eventualidade de haver casos a serem levados a tribunal.

Em entrevista à RMC, o dirigente foi confrontado com o diferendo que existe entre a Liga francesa e o grupo Mediapro, por causa de contratos de patrocínio que não puderam ser cumpridos na íntegra devido à covid-19.

Salientando que o ciclo económico do futebol foi “toldado por um processo pandémico”, Proença respondeu que, quer a LPFP, quer os clubes profissionais “tiveram de fazer ajustamentos aos contratos”, lembrando que a II Liga de 2019/20 não chegou ao fim.

“Quando chegamos ao final de uma competição e não se concluem dez jornadas há um conjunto de parceiros que viram os negócios coartados naquilo que era o retorno pensado. O futebol não é uma ilha que vive de forma isolada, temos que entender que quem investiu também saiu penalizado”, explicou.

No caso português, o presidente da LPFP não acredita que diferendos com patrocinadores venham a terminar em tribunal.

“Esses ajustamentos têm de ser feitos e acredito que toda essa discussão, que eventualmente possa ter litigância em tribunal, acabe por se resolver uma vez que todos se sentarem à mesa e perceberem que toda a gente perdeu com este processo pandémico”, defendeu.

As ligas profissionais portuguesas são das poucas na Europa que não têm os direitos de transmissão televisiva centralizados, um cenário que será alterado a partir de 2028, quando terminarem os últimos acordos feitos pelos clubes, considerou Pedro Proença.

“Há, hoje, um alinhamento total para que um novo ciclo seja montado em torno da centralização”, garantiu.

Como o futebol português atingiu “o limite máximo” em termos de direitos nacionais, torna-se urgente “exportar a nossa marca”.

“Com a qualidade do futebol português, quando temos fenómenos de renome mundial como Cristiano Ronaldo e José Mourinho, temos que aproveitar para colocar a marca da Liga Portugal naquele que é o seu verdadeiro posicionamento”, observou o responsável da LPFP.

Até porque Portugal já não se resume aos três grandes.

“Nos últimos anos, temos visto a ascensão de outros clubes, a lutar por títulos e lugares no topo. Há o fantástico trabalho de SC Braga, Vitória de Guimarães, Marítimo, o novo Famalicão...”, apontou.

Pedro Proença rejeitou frontalmente a ideia da Superliga Europeia por defender o “mérito” desportivo e não pelo “peso económico”, destacando a forma como os clubes portugueses geram riqueza com a formação.

“O facto é que o futebol europeu e mundial se alimentam do jogador português. No ranking da UEFA, somos a sexta maior liga da Europa. Em que atividade económica na Europa estamos em sexto lugar? Se criarmos uma liga inacessível, um anónimo ‘Marselha’ (que esteve na segunda divisão francesa) pode por mérito ser campeão europeu”, concluiu o presidente da LPFP.