Portugal
Liga passa punir ofensas a orientação sexual e de género nos estádios
2020-07-28 23:05:00
Clubes pretendem jogar com público já no início da próxima temporada

Os clubes hoje reunidos em Assembleia Geral da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, no Porto, aprovaram hoje uma alteração ao regulamento disciplinar das competições, que passa a punir comportamentos discriminatórios de género e orientação sexual.

A medida é válida para todos os agentes evolvidos nos jogos de futebol, desde jogadores a público, equiparando estes comportamentos às atitudes de discriminação racial, já contempladas nos regulamentos.

Caso surjam este tipo de incidentes, uma das punições poderá ser a interdição temporária de um setor específico do estádio, onde os mesmos tenham acontecido, numa nova norma que também foi hoje introduzida no regulamento disciplinar.

Ficou também definido os procedimentos a aplicar caso se verifiquem nos estádios casos de racismo, estabelecendo-se que o árbitro dará nota disso aos delegados da Liga, dando-lhes conhecimento dos procedimentos do speaker fazer até dois avisos no estádio, espaçados por cinco minutos e no segundo já com os jogadores no balneário, e, caso se mantenham os atos de racismo, xenofobia e intolerância, será evacuado o estádio ou a zona onde os atos são praticados.

Ainda em relação ao público, a diretora executiva da LPFP mostrou vontade de que, já no início da próxima época, possa haver assistência nas bancadas dos estádios das competições profissionais.

"Todos percebemos, nos últimos 10 jogos [da I Liga], que o publico é o coração deste jogo. Foi triste ver as bancadas vazias. Já pedimos uma reunião com a DGS para abordar, de novo, este assunto. Queremos ter um tratamento idêntico ao de outros espetáculos e começar, paulatinamente, a ter publico nos estádios, a partir do pontapé de saída da próxima época", disse a dirigente.

Também como decisão para a próxima época foi a criação de um play-off que pode ditar a subida de três equipas à I Liga, que foi vertido no regulamento das competições

O modelo, proposto pela direção da LPFP aos clubes, contempla uma alteração ao quadro competitivo, em que o 16.º classificado da I Liga e o terceiro classificado da II Liga, vão disputar um play-off, no final dos campeonatos, disputado em dois jogos

Esta decisão, que entra em vigor já em 2020/2021, foi a proposta foi com 28 votos a favor, 4 abstenções e 18 votos contra.

"Na II Liga, entre as duas equipas que descem e as duas que sobem há um vazio muito grande. Era importante aumentarmos a competitividade. Foi um dos temas mais discutido, mas a aprovação desta proposta vai-nos equipar às grandes 5 ligas europeias. O debate foi acalorado, mas a maior parte entendeu que fazia sentido esta alteração", disse Sónia Carneiro.

A dirigente pronunciou-se, ainda, sobre a providência cautelar interposta pelo Olhanense, que contesta a decisão da subida à II Liga de Vizela e Arouca, as duas equipas que tinham mais pontos quando o Campeonato Portugal foi interrompido pela pandemia de covid-19, e cujos representantes dos clubes já foi convidados para participar nesta reunião magna da LPFP.

"Todos os processos judiciais preocupam a Liga, mas têm de correr o seu trâmite normal. Não é algo que nos ocupe na preparação da próxima época. Estamos a prepará-la e nenhuma decisão vai pôr em causa o seu andamento", disse Sónia Carneiro.

No que toca a outras decisões tomadas nesta Assembleia Geral, onde apenas o Desportivo das Aves não participou, destaque para o novo modelo transitório da Taça da Liga, também para a próxima época, em que apenas 8 clubes vão disputar o acesso à ‘final-four', que será discutida entre 18 a 23 de janeiro de 2021.

Estarão apenas em competição os seis primeiros classificados da I Liga após a última jornada de novembro, além dos dois primeiros classificados da II Liga no mesmo período.

Esses oito emblemas vão defrontar-se numa ronda inicial, a eliminar, disputada a apenas a uma mão, entre a 15, 16 e 17 dezembro, com as quatro melhores equipas da Liga NOS a jogarem em casa.

O Sporting votou contra este modelo, mas a proposta foi ratificada pela maioria dos clubes presentes.

No âmbito disciplinar foi também aprovado o aumento para o quadruplo das multas aos clubes que atrasem o reinício do encontro em mais de 15 minutos ou que provoquem atrasos em jogos que tenham de se iniciar à mesma hora.

Se esta conduta for provocada dolosamente, com a intenção de causar prejuízos a terceiros, os clubes serão sancionados com a pena de derrota.

Foi, igualmente, definido que os clubes que permitam a exibição de faixas, que promovam ou consintam comportamentos discriminatórios, passam a ser punidos com 2 a 5 jogos à porta fechada.

Também decido ficou a uniformização da norma que estabelece os critérios de desempate ao longo da época desportiva, que passam ser aplicadas em cada jornada e não apenas no final das competições.