Bruno Varela, fruto da lesão de Júlio César, tem sido a única verdadeira aposta.
Nesta temporada, apenas três dos novos jovens do Benfica já puderam jogar pela equipa principal. Porquê? Em parte, porque, com Rui Vitória, as oportunidades não caem do céu, caem das lesões. Desde que chegou ao Benfica, apenas dois jogadores foram apostas de convicção e não fruto de vagas de lesões, num facto que vamos analisar mais à frente. Isto significa que os jovens no plantel desta temporada precisarão de esperar pelas lesões dos jogadores mais consagrados? Possivelmente, sim.
Recorde as palavras de Rui Vitória quando foi apresentado no Benfica, em 2015. “Posso apostar em cinco, seis ou sete jovens, porque têm muita qualidade, mas não é a minha visão dar oportunidades só por dar. Vou dar oportunidades para mostrarem o seu valor e quem souber aproveitar poderá tirar proveito disso”.
Olhando para trás, é justo dizer que Renato Sanches, Lindelof, Semedo, Ederson, André Horta, Clésio e José Gomes foram apostas made in Rui Vitória. No entanto, é factual que, destes sete, apenas dois (Semedo e Horta) foram apostas por convicção. Todos os outros tiveram as suas oportunidades fruto das lesões. Há ainda mais seis jogadores cuja aposta foi fugaz e sem continuidade.
Olhemos, agora, para o presente. Nesta temporada, muitos foram os novos jovens jogadores a integrar o plantel do Benfica (ainda que alguns deles já tenham estado no plantel na última temporada). Até agora, apenas Bruno Varela tem sido aposta forte, mas, mais uma vez, fruto da lesão de Júlio César.
No plantel definido após o fecho do mercado, ficaram Bruno Varela, João Carvalho, Chrien e Diogo Gonçalves. O guarda-redes terá de enfrentar a concorrência de Júlio César, quando o brasileiro regressar da lesão, mas, olhando para o exemplo recente de Ederson, é crível que Rui Vitória mantenha a aposta no português.
No que diz respeito a João Carvalho e Diogo Gonçalves, as contas não estão fáceis. O primeiro fez uma boa temporada em Setúbal, por empréstimo, em 2016/17, o que lhe valeu um lugar no Benfica nesta época. O segundo impressionou na equipa B dos encarnados. Ainda assim, o 4x4x2 de Rui Vitória apenas deverá abrir espaço a João Carvalho e Diogo Gonçalves nas alas. Aí, para além da concorrência um do outro, terão ainda a de um extenso rol de jogadores: Salvio, Cervi, Zivkovic, Rafa e até Krovinovic. João Carvalho, que pode atuar em zonas centrais, pode ainda ser aposta na posição 8, mas, nesta fase, é difícil prever esse cenário.
Por último, o eslovaco Chrien. Algumas boas indicações na pré-temporada valeram-lhe a continuidade – os rumores da possível saída de Samaris também devem ter levado Rui Vitória a precaver-se –, mas, para já, não tem sido das primeiras opções. Fesja e Pizzi são donos do meio campo e Filipe Augusto é a primeira opção para sair do banco. Com o regresso de Samaris (suspenso), Chrien deverá ser a quinta opção para o meio campo encarnado.
Com tudo isto – e considerando o passado recente de Rui Vitória – não é difícil prever que estes jovens precisarão de eventuais problemas físicos de alguns colegas para terem as suas oportunidades.