Portugal
Jonas já é o melhor benfiquista, mas ainda persegue Peyroteo e Gomes
2017-11-27 09:45:00
Os dez jogos seguidos do brasileiro a marcar permitiram-lhe igualar o seu compatriota Edmur, do Vitória SC

O bis de Jonas frente ao Vitória FC, ontem, valeu ao atacante brasileiro a honra de ser o primeiro jogador do Benfica a marcar em dez jornadas consecutivas de campeonato em mais de 80 anos de competição. E de, além disso, ser o primeiro a fazê-lo neste século, superando a marca do portista Pena, que em 2000 fizera golos em nove jornadas seguidas. Contudo, Jonas ainda terá de pedalar um pouco para ser recordista absoluto do campeonato português. Para já, igualou o vimaranense Edmur, que em 1958/59 tinha feito golos em dez jornadas de enfiada. Mas ainda lhe falta um golo no Dragão, na próxima jornada, para alcançar a marca do sportinguista Peyroteo, em 1937/38. E ainda mais três para chegar aos 14 jogos seguidos a marcar registados por Fernando Gomes em 1984/85.

Esta época, Jonas vem numa sequência notável, a marcar sempre desde a terceira jornada. A última vez que ficou a zeros foi na segunda jornada, uma vitória benfiquista arrancada a ferros, em Chaves (1-0, com golo de Seferovic mesmo a fechar). Depois disso, Jonas inaugurou a sequência com um hat-trick nos 5-0 ao Belenenses, fez o golo benfiquista no empate (1-1) com o Rio Ave e, Vila do Conde, voltou a marcar na vitória caseira ante o Portimonense (2-1) e até na derrota frente ao Boavista no Bessa (1-2). O quinto jogo da série foi em casa contra o FC Paços de Ferreira (um golo nos 2-0 finais) e o sexto o empate com o Marítimo nos Barreiros (1-1, com mais um golo de Jonas). Seguiram-se um bis nos 3-1 no terreno do GD Aves, um golo decisivo no curto 1-0 ao Feirense, outro a abrir os 3-1 em Guimarães ao Vitória SC e, finalmente, mais dois na goleada de ontem ao Vitória FC (6-0). Ao todo, nesta sequência de dez jogos sempre a marcar, Jonas fez 14 golos.

São, para já valores que o distanciam de outros jogadores notáveis da história do campeonato, incluindo os benfiquistas Eusébio e Julinho, que viram as suas melhores séries travar exatamente ao décimo jogo. Mas que não lhe permitem o primado absoluto. Ora vejamos quem, além de Jonas, foram os goleadores mais persistentes em mais de oito décadas de história da Liga portuguesa.

Gomes (FC Porto) – 14 jogos a marcar em 1984/85

É uma marca extraordinária e difícil de superar. O biBota de Ouro fez golos em todos os jogos de campeonato que disputou entre início de Dezembro de 1984 e finais de Abril de 1985, todos entre as duas partidas com o Sporting, que acabaram empatadas a zero. Mérito para Damas, o guarda-redes que o conteve nas duas ocasiões. Assim sendo, depois de um 0-0 com os leões nas Antas, a 25 de Novembro de 1984, Gomes fez 27 golos nos 14 jogos que se seguiram, com destaque para um penta nos 9-1 ao FC Vizela (jogo na Póvoa de Varzim, por interdição das Antas), um hat-trick na visita ao SC Braga (3-2), outro nos 3-0 em casa ao Boavista ou ainda para o golo da vitória frente ao Benfica na Luz (1-0). Aliás, o FC Porto ganhou esses 14 jogos, arrancando de forma decisiva para o primeiro título nacional da era Artur Jorge. Gomes acabou esse campeonato com 39 golos, mas voltou a ficar em branco na visita ao Sporting, a 28 de Abril de 1985, que se saldou por outro empate a zero.

Peyroteo (Sporting) – 11 jogos a marcar em 1937/38

Para chegar ao segundo lugar desta tabela, igualando o sportinguista Peyroteo, Jonas terá de fazer pelo menos um golo ao FC Porto no Dragão, na próxima jornada. O tio-avô do atual treinador do Vitória FC, José Couceiro, ontem goleado na Luz, marcou nas últimas onze jornadas do campeonato de 1937/38. Aliás, na que foi a sua época de estreia no futebol português, o avançado angolano fez 33 golos em 14 jogos e esteve mesmo a um passo de ser o único jogador da história a marcar em todas as jornadas do nosso campeonato. Para compor o ramalhete, faltou-lhe marcar no Lima, a 6 de Fevereiro de 1938, quando o Sporting perdeu com o FC Porto (1-2), à terceira jornada. Depois dessa partida, obteve 30 golos nas últimas 11 rondas, ainda assim insuficientes para fazer do Sporting campeão – o Benfica ganhou a prova. Destaque para os seis golos que marcou nos 13-0 ao Carcavelinhos, para os cinco nos 6-0 ao Académico do Porto, um bis num empate a dois com o Benfica ou um hat-trick nos 6-1 ao FC Porto. Depois de ficar em branco face ao guardião portista Soares dos Reis, a 6 de Fevereiro de 1938, Peyroteo só passou uma jornada sem festejar um golo em nome próprio na abertura do campeonato seguinte, em nova derrota (1-2) face ao FC Porto no Lima, a 8 de Janeiro de 1939. E outra vez frente a Soares dos Reis, com a nuance de, desta vez, o angolano não ter sequer jogado.

Edmur (Vitória SC) – 10 jogos a marcar em 1958/59

Quem Jonas já igualou foi o seu compatriota Edmur, que até hoje foi o único jogador fora do universo dos três grandes a marcar golos em dez jornadas consecutivas. Fê-lo logo na época de chegada ao futebol português, vindo do Náutico, entre Outubro e Dezembro de 1958. Bisou na estreia, um 3-0 ao Belenenses na segunda jornada, mas ficou em branco na jornada seguinte, tendo Bráulio, guarda-redes do Barreirense, sido capaz de o parar. A partir daí, foram 12 golos em 10 jogos, com destaque para um hat-trick nos 8-0 ao Torreense, mas também para o facto de ter marcado a FC Porto e Sporting, nas derrotas da sua equipa por 6-1 e 3-1. Já não conseguiu completar o quadro marcando ao Benfica, que foi a primeira equipa a pará-lo depois daquele zero no Barreiro. A 28 de Dezembro, o Vitória SC até ganhou ao Benfica no Campo da Amorosa (2-1), mas quem marcou os golos a Costa Pereira foi Rola. Edmur acabaria esse campeonato com 19 golos, ainda ficou mais duas épocas em Guimarães antes de emigrar para Espanha, onde o Celta de Vigo o acolheu.

Mais doze jogadores com 9 jogos a marcar

Quem Jonas já ultrapassou foram os doze jogadores que marcaram em nove jogos seguidos e foram parados ao décimo. Aliás, são onze jogadores, porque um deles, o sportinguista Peyroteo, fê-lo por três vezes: em 1942/43 e em 1945/46. Além dele, marcara em nove jornadas seguidas da Liga portuguesa Soeiro (Sporting, 1934/35), Rodrigues (Vitória FC, entre o fim de 1943/44 e o início de 1944/45), Andrade (Belenenses, 1945/46), Araújo (FC Porto, 1947/48), Julinho (Benfica, 1949/50), Martins (Sporting, 1953/54), Azumir (FC Porto, 1961/62), Eusébio (Benfica, 1964/65), Jardel (FC Porto, 1999/00) e Pena (FC Porto (2000/01).