Portugal
Jesus “desconfia do modelo de formação”, Amorim “vai com tudo”
Redação
2021-03-21 15:15:00
Miguel Cal elogia coragem do treinador do Sporting em lançar mais jovens na equipa. E critica resistência de Jesus

Com mais um triunfo, diante do Vitória de Guimarães, o Sporting superou outra etapa na sua caminhada (aparentemente) imparável, rumo a um título que escapa aos leões há 19 anos. encontro fica marcado pelo golo de Gonçalo Inácio, de 19 anos, e pela estreia emotiva de Dário Essugo, que aos 16 anos vestiu pela primeira vez a camisola do Sporting. Essugo tornou-se no mais jovem futebolista de sempre a jogar pela principal equipa de Alvalade. E também por isso chorou. 

Miguel Cal, antigo administrador da SAD leonina, está rendido a Rúben Amorim. Esse sentimento tem sido manifestado, semana após semana. Desta vez, dá-se o acaso da estreia de Essugo surgir numa semana em que Jorge Jesus fala da formação como assunto "para vender jornais". 

Isto é maravilhoso. E na semana em que um treinador desconfia do modelo de formação, o nosso vai com tudo! Orgulho no líder do nosso futebol”, escreveu Miguel Cal, no Twitter, em mais um elogio ao técnico Rúben Amorim.

Ontem, Jorge Jesus abordou o tema da formação, depois de ter sido confrontado com a política do Sporting e com a elevada quantidade de jogadores que Amorim chama à principal equipa com bons resultados – a classificação da I Liga assim o confirma, assim como a valorização de ativos.  

A resposta de Jorge Jesus foi objetiva: só há um jogador da formação encarnada com lugar no onze, neste momento: Diogo Gonçalves. E na época passada, antes da chegada do técnico que conquistou o Brasil, o Benfica também só tinha Rúben Amorim nessa condição. Mais: com Bruno Lage no comando técnico, os encarnados contrataram o internacional alemão Weigl, para o meio-campo, o que precipitou a saída de dois jovens da formação: Gedson e Florentino. 

Porém, ainda que a aposta na formação esteja presente no discurso dos responsáveis encarnados, com treinador incluído, a verdade é que, do outro lado da Segunda Circular, a realidade é bem diferente. Há titulares indiscutíveis no onze, oriundos da formação. E há apostas que se sucedem, jornada após jornada.

Miguel Cal ‘tira o chapéu’ a Rúben Amorim, pela coragem, e envia um recado a Jorge Jesus, pela forma diferente como o técnico do Benfica olha o futebol, preferindo jogadores experientes. A experiência, no Benfica, não tem produzido frutos. A Champions perdeu-se, culpa do PAOK, o título é uma miragem, a Supertaça foi parar ao museu do FC Porto e resta a Taça de Portugal e um (mais do que honroso) segundo ou terceiro lugar 

Aqui, o Benfica pode encontrar algum conforto, pelos possíveis milhões que a Liga dos Campeões possa trazer, na próxima época, e se a final da Taça trouxer boas notícias para os lados da Luz. E entretanto, Rúben Amorim já terá lançado mais alguns jovens, provavelmente com o título de campeão assegurado, algo que escapa ao leão há quase duas décadas.